Home
Notícias
Ações
Venda da CSN Cimentos pela holding é “irreversível”

Venda da CSN Cimentos pela holding é “irreversível”

Empréstimo ponte de US$ 1,2 bilhão com cimentos como colateral torna desinvestimento praticamente irreversível

A Genial Investimentos colocou a CSN (CSNA3) sob revisão em sua análise mais recente, mas sinalizou que qualquer catalisador mais claro em torno da venda dos cimentos levaria à revisão do rating para compra. A análise é assinada pelo analista Luca Vello.

A dívida líquida da companhia soma R$ 40,5 bilhões, com alavancagem de 3,4 vezes o EBITDA dos últimos doze meses. A venda do segmento de cimentos é identificada como o principal evento de desalavancagem da tese.

O empréstimo ponte de US$ 1,2 bilhão firmado em abril, com a operação de cimentos como principal colateral e prazo de cinco anos, torna o desinvestimento praticamente irreversível — um empréstimo com garantia real sobre o ativo pressupõe que a venda ocorrerá dentro de um horizonte razoável de tempo”, afirma Luca Vello.

Cimento chega ao mercado no pico operacional

O segmento de cimentos entregou R$ 392 milhões de EBITDA no primeiro trimestre de 2026, alta de 62,7% na comparação anual, com margem de 31,2% — o maior resultado da história da divisão.

Publicidade
Publicidade

“O ativo que vai ao mercado é um negócio em aceleração: margem de 31,2% no trimestre sazonalmente mais fraco do ano e EBITDA recorde tornam este o melhor momento operacional possível para o desinvestimento, maximizando o múltiplo implícito para o vendedor”, avalia o analista.

O management confirmou que o processo está “a todo vapor”, com o número de interessados superando as expectativas iniciais — o que reduz o risco de uma venda forçada a múltiplos deprimidos.

Desalavancagem: o benefício central da operação

Com proceeds estimados em R$ 13,6 bilhões no cenário-base (8,5 vezes EBITDA), a dívida líquida cairia para R$ 27 bilhões (-34%), e a alavancagem recuaria de 3,4 para 2,7 vezes.

“O maior benefício não está no FCL absoluto, mas na compressão da alavancagem de 3,4x para 2,7x — o que reduz o prêmio de risco e abre espaço para re-rating do equity e compressão de spread nos bonds”, destaca Vello.

A economia de juros a partir de 2027 seria de R$ 1,6 a 1,7 bilhão por ano, superando levemente a perda de EBITDA do segmento (R$ 1,6 bilhão). O FCL ajustado deve melhorar R$ 300 a 350 milhões ao ano a partir de 2027.

Siderurgia, mineração e logística têm vetores de crescimento que devem compensar a saída do cimento ao longo de 2027 e 2028.

“O caminho para um horizonte mais construtivo para a tese se torna cada vez mais iminente — qualquer catalisador mais claro em torno do fechamento nos levaria a revisar o rating da companhia para Comprar”, conclui Luca Vello.