As criptomoedas reportam forte alta nesta terça-feira (14), beneficiadas pela crise do Silicon Valley Bank (SVB), que chegou perto de quebrar na última semana, mas foi socorrido pelo governo dos EUA.
O ponto de inflexão, nesse caso, é que o SVB era considerado o banco das startups, e mantinha sua sede em Santa Clara, na Califórnia, próxima do Vale do Silício.
Na prática, a correção se dá por conta do segmento, ou seja, a bancarrota do referido banco evidencia a crise que se instaurou no segmento de tecnologia.
Para Helena Margarido, criptoanalista da Monett, os ativos digitais serão beneficiados, neste momento, indiferentemente do cenário que vier. Isso porque, explica, a grande tese do Bitcoin evoca que “você é seu próprio banco”. Ou seja, por conta da crise atual, deflagrada pelo SVB, o investidor procura novos ativos onde aportar seu capital.
“Essa tese ganha mais força, principalmente porque a gente está falando de bancos quebrando. Então, se antes você confiava em um banco, para ser depositário do seu dinheiro, e esse banco quebra, talvez agora seja o momento de você ter, de fato, a auto custódia do seu próprio dinheiro”, disse.
E acrescentou: “e para isso, nada melhor do que o Bitcoin, e isso gerou uma corrida, pelo BTC, principalmente, que foi um dos criptoativos que mais subiu, bem como outras altcoins, e gerou um volume expressivo de dinheiro novo injetado nesse mercado e, por consequência, aumento e valorização dos preços dos criptos”.
Além disso, ela diz, as criptomoedas também se beneficiam de um possível cenário de fim de ciclo de alta de juros, acelerado pela quebra dos bancos.

Criptomoedas: Bitcoin e Ethereum
Tanto é assim que por volta das 15h de hoje o Bitcoin, por exemplo, reportava alta de 6,34%, cotado a US$ 25.700,00, enquanto o Ethereum reportava alta de 5,05%, cotado a US$ 1.754,97.
Importante destacar que o BTC reporta alta de 18,37% no período de seis meses, e queda de 33,73% no período de um ano.
O ETH, por sua vez, reporta queda de 0,06% no período de seis meses, e queda de 30,61% no período de um ano.
Essa volatilidade não traz muita confiança sobre as criptos, mas, de certa forma, afasta a ideia do chamado “inverno cripto”.
Mas, para ficar ainda mais claro, pode-se dizer que do último domingo até esta data, houve uma disparada por parte do BTC, visto que naquele dia 12 de março de 2023 ele estava cotado a R$ 20.000,00. Trata-se de mais de 20% de valorização.
Empresas tech em rota de correção
Do lado corporativo, vale destacar que hoje, mais cedo, a Meta, controladora do Facebook, anunciou a demissão de mais 11 mil trabalhadores e o fechamento de cinco mil postos de trabalho que não foram preenchidos. A empresa já tinha efetuado a demissão de dez mil trabalhadores meses atrás.
Entre os analistas, há quem afirme se tratar, realmente, de uma crise, o que deve pressionar os ativos, bem como refletir nas operações diárias.
Entretanto, há alguns mais otimistas e que dizem acreditar que se trata, na verdade, de uma correção, visto que, supostamente, tais empresas estavam inchadas e precisavam cortar o excesso.
Os juros dos EUA e o viés do investidor
A derrocada do SVB se deu por conta dos juros norte-americanos que, no patamar atual, inviabilizou a operação da instituição financeira.
Acontece que o Tio Sam, historicamente, trabalha com juros excessivamente baixos, em torno de zero, mas está em quase 5% por conta de uma necessidade de o Federal Reserve (banco central americano) em segurar a inflação.
Isso atinge diretamente as empresas e também os investidores, com boa parte deles saindo do mercado de risco e indo se proteger em títulos públicos.
Em relação à crise dos bancos, nos EUA, e o efeito disso nas criptomoedas, é importante salientar que, primeiramente, nestas grandes crises, são três ondas, geralmente, que marcam. A primeira onda é uma grande crise de liquidez, com todo mundo tirando dinheiro de banco e de investimento.
Já a segunda onda diz respeito à procura dos investidores por ativos onde pretendem alocar o capital, e aí entra a grande tese de que com as criptomoedas você é o seu próprio banco, ou seja, só você possui a custódia do seu próprio dinheiro, e essa tese ganha mais força, principalmente porque a gente está falando de bancos quebrando.
Assim, houve uma predileção pelo Bitcoin, no contexto atual, do SVB. O investidor deu preferência a esse ativo e ele esteve entre os que mais subiram. Mas isso também se espalhou por outras altcoins presentes no mercado, o que promoveu uma valorização e, consequentemente, um aumento dos preços.
Daqui para frente, podemos esperar que em qualquer cenário, haverá um ganha-ganha para as criptos, com a tese de acessando uma maré de reversão de tendência dos criptoativos desde tudo o que vinha sendo vivenciado a partir de 2022, com o Bitcoin com uma fortíssima tese de valorização.
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