O Bitcoin hoje (23) opera em queda e perdeu a região dos US$ 65 mil em meio ao aumento da aversão ao risco nos mercados globais. A escalada das tensões no Oriente Médio levou o petróleo Brent acima de US$ 100 por barril e reforçou as preocupações com inflação e juros elevados por mais tempo.
Por volta das 12h24, o Bitcoin recuava 1,88%, cotado a US$ 64.841,75. A criptomoeda chegou a superar os US$ 66 mil no início do dia, mas perdeu força durante a sessão e tocou níveis próximos de US$ 64,7 mil.
A queda ocorre apesar do sétimo pregão consecutivo de entradas nos ETFs à vista de Bitcoin dos Estados Unidos e da retomada da acumulação por investidores de longo prazo.
Bitcoin hoje perde suporte dos US$ 65 mil
A região entre US$ 65 mil e US$ 67 mil continua sendo o principal ponto técnico acompanhado pelo mercado. O Bitcoin vinha tentando transformar os US$ 65 mil, anteriormente uma resistência, em um novo suporte para sustentar a recuperação.
O ativo, porém, perdeu esse patamar durante a sessão desta quinta-feira. Segundo Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, a capacidade de recuperar a região será importante para definir a direção dos próximos pregões.
“Se o Bitcoin conseguir sustentar os US$ 65 mil e romper os US$ 67 mil, pode abrir caminho para uma nova pernada de alta. Caso perca os US$ 65 mil, a correção pode se intensificar e levar o preço de volta para a região dos US$ 63 mil”, afirma.
Mesmo com a queda desta quinta, o Bitcoin ainda acumula valorização de aproximadamente 2,2% nos últimos sete dias. O comportamento mostra que parte da recuperação recente foi preservada, embora a piora do cenário externo tenha interrompido a tentativa de rompimento dos US$ 67 mil.
Entre as altcoins, a tendência continua ligada ao desempenho do BTC. Um eventual retorno acima dos US$ 67 mil poderia favorecer ativos como o Ethereum, enquanto uma correção até os US$ 63 mil tende a pressionar o mercado cripto de forma mais ampla.
ETFs completam sete dias de entradas
Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos registraram mais US$ 69 milhões em entradas líquidas na quarta-feira (22). Foi o sétimo pregão consecutivo com fluxo positivo.
O valor ficou abaixo das captações observadas nas sessões anteriores, mas ampliou a sequência de recuperação da demanda institucional. Na terça-feira, os produtos haviam recebido US$ 203,2 milhões.
“A entrada foi menor do que nos últimos dias, mas ainda reforça a leitura de que o apetite institucional pelo BTC está retornando”, avalia Tota.
A melhora contrasta com as oito semanas consecutivas de saídas registradas anteriormente. A continuidade das entradas diminui a pressão vendedora dos fundos e pode ajudar o Bitcoin a absorver os efeitos do ambiente geopolítico mais adverso.
Petróleo acima de US$ 100 pressiona o Bitcoin
O principal risco externo para o mercado cripto vem do Oriente Médio. Além das restrições no Estreito de Ormuz, os houthis do Iêmen anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Mar Vermelho e afirmaram ter atacado dois petroleiros sauditas.
As dificuldades agora atingem duas rotas estratégicas para o transporte global de energia. O Mar Vermelho e o Estreito de Bab el-Mandeb funcionavam como alternativas diante das restrições em Ormuz.
Diante do aumento do risco, embarcações que transportavam petróleo da Arábia Saudita para China e Índia alteraram seus trajetos ou retornaram para evitar a região.
O Brent superou os US$ 100 por barril nesta quinta-feira, enquanto o WTI avançou para perto de US$ 92. A alta da commodity pode pressionar combustíveis, transportes e diferentes cadeias produtivas.
Para o Bitcoin, o impacto ocorre por meio das expectativas de inflação e juros. Petróleo mais caro pode levar os bancos centrais a manter políticas monetárias restritivas por mais tempo, reduzindo a liquidez disponível para criptomoedas e outros ativos de risco.
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Ações tokenizadas atingem US$ 2,3 bilhões
Além do comportamento do Bitcoin, o mercado acompanha o crescimento das ações tokenizadas negociadas em redes blockchain.
O valor de mercado desses ativos atingiu o recorde de US$ 2,3 bilhões em meados de julho. Mais de 670 mil investidores já mantêm ações tokenizadas on-chain, alta de 73% em um mês e de 449% no ano.
A rede Solana concentra cerca de 85% do volume negociado nesse segmento. Na plataforma Jupiter, o volume de ativos tokenizados aumentou 300% no ano.
Nos últimos 30 dias, aproximadamente 68% das negociações na plataforma ocorreram durante fins de semana ou fora dos horários tradicionais das bolsas.
Os dados indicam uma procura crescente por negociação contínua, liquidação por blockchain e acesso a ativos tradicionais fora do horário regular dos mercados. Apesar da expansão dessa tese, o comportamento do setor cripto no curto prazo continuará condicionado à recuperação dos US$ 65 mil pelo Bitcoin e aos desdobramentos da crise no Oriente Médio.






