O Bitcoin hoje (4) era negociado a US$ 79.594,10 por volta das 15h23, com queda de 2,05% no dia. A criptomoeda, que operava acima dos US$ 81 mil antes da divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, perdeu rapidamente os US$ 80 mil e chegou a cair abaixo dos US$ 79 mil.
A reação ocorreu após o payroll mostrar a criação de 162 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola em agosto, quase três vezes o consenso de 56 mil. A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, enquanto a participação na força de trabalho avançou para 61,6%.
Os salários médios subiram 0,3% no mês e 3,1% em 12 meses. Além disso, o dado de julho foi revisado de uma perda de 23 mil postos para a criação de 21 mil vagas, enquanto o resultado de junho passou de 20 mil para 31 mil empregos, segundo o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos.
“Em conjunto, os números mostram um mercado de trabalho mais resistente do que o mercado vinha precificando. A leitura macro é negativa para cripto porque um emprego mais forte dá ao Federal Reserve mais espaço para manter uma política monetária restritiva”, afirma Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin.
Payroll forte amplia pressão sobre o bitcoin
O resultado fortaleceu as apostas de que o Federal Reserve poderá elevar os juros em 0,25 ponto percentual na reunião marcada para 15 e 16 de setembro. Taxas americanas mais altas tendem a reduzir a procura por ativos de maior risco, como as criptomoedas.
A queda devolveu parte da valorização registrada na véspera, quando o bitcoin saltou da região dos US$ 78 mil para US$ 81 mil. Na ocasião, a redução das expectativas de alta dos juros e a liquidação de aproximadamente US$ 260 milhões em posições vendidas alimentaram um short squeeze.
Segundo Fontes, a faixa dos US$ 77 mil volta a ocupar uma posição central no curto prazo. A manutenção do preço acima desse patamar ajudaria a preservar a recuperação recente, mesmo diante da piora do ambiente macroeconômico.
“Por enquanto, o BTC ainda consegue se sustentar na região dos US$ 79 mil, mas o dado aumenta a pressão sobre o curto prazo. Permanecer acima dos US$ 77 mil ajudaria a preservar a estrutura recente e evitar que a piora macro se transforme em uma correção mais forte”, avalia.
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CPI será o próximo teste para o BTC
A próxima referência importante será o CPI de agosto, índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, previsto para a próxima semana. O resultado pode alterar novamente as expectativas para a decisão do Fed e definir a direção dos ativos de risco antes da reunião do banco central.
Uma inflação abaixo das projeções poderia compensar parcialmente o impacto do payroll, reduzindo as apostas de aumento dos juros e abrindo espaço para uma reação do bitcoin. Um resultado acima do esperado, entretanto, combinaria emprego forte e inflação resistente.
“Se o CPI surpreender para cima, a tese de alta dos juros ganha ainda mais força e a pressão sobre o mercado cripto pode aumentar. Até a divulgação, defender os US$ 77 mil será importante para manter a estrutura positiva construída nos últimos dias”, conclui Fontes.






