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A “revolta” das consultoras da Natura

A “revolta” das consultoras da Natura

Parte da força de vendas discute reduzir atividade, dividir contas ou até abandonar a operação para evitar novas obrigações fiscais

A principal discussão envolvendo a Natura (NATU3) no momento vai além da política comercial ou dos preços dos produtos. A companhia vem intensificando a preparação de sua base de consultoras para as mudanças trazidas pela reforma tributária, que deverá alterar a dinâmica operacional de parte relevante do canal de vendas a partir de 2027.

Segundo um relatório da XP, a Natura tem promovido lives e materiais educativos para esclarecer os impactos das novas regras. Pela legislação, consultoras que registrarem vendas superiores a R$ 40,5 mil por ano passarão a ser contribuintes por conta própria, precisando obter um CNPJ.

Nesse contexto, o enquadramento poderá ocorrer como Microempreendedor Individual (MEI) para faturamentos de até R$ 81 mil anuais ou no Simples Nacional para valores superiores.

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“A Natura tem realizado uma série de ações de comunicação para preparar sua base para as mudanças da reforma tributária, enfatizando que se trata de uma alteração sistêmica e não de uma decisão da companhia”, afirmaram os analistas Pedro Cavarina e Laryssa Sumer.

Os analistas observam que, para as consultoras com vendas abaixo do limite estabelecido, a exigência de registro e emissão de notas fiscais foi dispensada até o fim de 2028. Ainda assim, relatos coletados pela XP indicam que muitas revendedoras continuam buscando esclarecimentos adicionais sobre as obrigações futuras e os impactos práticos das novas regras.

Preocupações sobre retenção de consultoras

A reação do canal de vendas tem sido predominantemente negativa. A descontinuação do boleto como forma de pagamento aparece entre as principais reclamações das consultoras, seguida pelas dúvidas relacionadas à emissão de notas fiscais e aos procedimentos necessários para regularização tributária.

“O canal não está recebendo bem as mudanças e identificamos discussões abertas entre consultoras sobre reduzir sua atividade para permanecer abaixo do limite de faturamento”, escreveram Pedro Cavarina e Laryssa Sumer.

O relatório também destaca que algumas consultoras cogitam dividir operações entre contas diferentes para evitar ultrapassar o teto de vendas que exigirá formalização, enquanto outras avaliam abandonar completamente a atividade.

“Mais revelador do que as reclamações é o fato de algumas consultoras já discutirem a possibilidade de dividir contas ou até deixar o negócio em função das novas exigências”, observaram os analistas.

Para a XP, o tema surge em um momento delicado para a Natura, já que a insatisfação da base de revendedoras não é recente.

“A reforma tributária se soma a preocupações que já eram recorrentes entre as consultoras, incluindo preços menos competitivos, a presença da marca em marketplaces, falta de produtos e exigências elevadas de pedido mínimo”, concluíram Pedro Cavarina e Laryssa Sumer.

Segundo a corretora, o acúmulo desses fatores reforça o risco de maior rotatividade da força de vendas e deve permanecer no radar dos investidores nos próximos trimestres.