O Bitcoin hoje (22) opera em queda, mas preserva a região dos US$ 65 mil mesmo com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e o petróleo Brent próximo de US$ 95 por barril. Por volta das 12h20, a criptomoeda recuava 0,90%, cotada a US$ 65.955,87, segundo dados do Google Finance.
O BTC chegou a negociar acima dos US$ 66,5 mil no início do dia, mas perdeu força ao longo da sessão e tocou a região dos US$ 65,5 mil. Apesar da queda, o ativo permanece dentro da faixa de resistência entre US$ 65 mil e US$ 67 mil.
A sustentação do preço recebe apoio da melhora do fluxo institucional. Os ETFs à vista de Bitcoin dos Estados Unidos completaram seis pregões consecutivos de entradas líquidas e acumularam aproximadamente US$ 930,7 milhões no período.
Bitcoin hoje defende os US$ 65 mil
A região dos US$ 65 mil é o principal nível acompanhado pelo mercado nesta quarta-feira. O patamar funcionava como resistência durante a recuperação recente e agora precisa se consolidar como suporte para manter aberto o caminho até os US$ 67 mil.
Segundo Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, o comportamento do ativo chama atenção diante da piora do ambiente externo.
“O BTC segue forte mesmo com a piora geopolítica entre Estados Unidos e Irã e a nova alta do petróleo, fatores que normalmente pressionam ativos mais sensíveis à liquidez”, afirma.
Um rompimento consistente acima dos US$ 67 mil poderia abrir espaço para o Bitcoin buscar a região dos US$ 72 mil. A perda dos US$ 65 mil, por outro lado, aumentaria o risco de retorno aos US$ 63 mil, faixa próxima à média móvel simples de 200 semanas.
“O ideal agora é que o BTC consiga defender os US$ 65 mil, transformando a antiga resistência em suporte. Caso perca essa região, o preço pode voltar rapidamente para a zona intermediária dos US$ 63 mil”, explica Tota.
Petróleo perto de US$ 95 limita avanço
O principal obstáculo para uma recuperação mais forte vem do cenário geopolítico. Estados Unidos e Irã entraram em mais uma noite de ataques, enquanto a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz continua ameaçando uma das rotas mais importantes para o transporte mundial de energia.
Antes da escalada, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural consumidos no mundo passava pela região. As restrições à navegação e o risco de novos ataques elevaram o prêmio cobrado pela commodity.
O petróleo Brent chegou perto de US$ 95 por barril nesta quarta-feira. A alta amplia o risco de pressão sobre os preços de combustíveis, transporte e diferentes cadeias produtivas.
Para o Bitcoin, o impacto ocorre principalmente pelas expectativas de inflação e juros. Petróleo mais caro pode levar o Federal Reserve a manter uma política monetária restritiva por mais tempo, reduzindo a liquidez disponível para ativos de risco.
Mesmo nesse ambiente, a criptomoeda permanece próxima dos US$ 66 mil, sem devolver integralmente a valorização registrada nos últimos pregões.
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ETFs acumulam US$ 930,7 milhões
Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos registraram entrada líquida de US$ 203,2 milhões na terça-feira (21). Foi o sexto pregão consecutivo com captação positiva.
No período, os fundos acumularam aproximadamente US$ 930,7 milhões em novos recursos. A sequência contrasta com as oito semanas consecutivas de resgates registradas anteriormente, quando mais de US$ 8 bilhões deixaram os produtos.
“O ponto positivo é que os ETFs seguem registrando entradas mesmo em um ambiente geopolítico desfavorável, sugerindo que o interesse comprador pelo Bitcoin pode estar ganhando força novamente”, avalia Tota.
Ainda é cedo para afirmar que houve uma reversão definitiva do fluxo institucional. A continuidade das entradas, contudo, reduz uma das principais pressões vendedoras que atingiram o mercado no primeiro semestre.
Os ETFs à vista de Ethereum também apresentam recuperação. Após oito semanas seguidas de saídas, os produtos completaram duas semanas positivas em julho, com cerca de US$ 190 milhões captados.
Na semana atual, os fundos de ETH já receberam aproximadamente US$ 75,5 milhões, indicando uma melhora do apetite institucional que não está restrita ao Bitcoin.
Bitcoin supera ouro em número de investidores nos EUA
Um levantamento da River aponta que o Bitcoin já supera o ouro em número de investidores individuais nos Estados Unidos.
A estimativa indica que aproximadamente 49,6 milhões de adultos americanos possuem Bitcoin, equivalente a 18,6% da população adulta. O ouro, por sua vez, estaria presente na carteira de 28,8 milhões de pessoas, ou 10,8% dos adultos do país.
A diferença contrasta com o tamanho financeiro dos dois mercados. O Bitcoin possui valor de mercado estimado em US$ 1,32 trilhão, equivalente a cerca de 4,6% dos US$ 28,6 trilhões atribuídos ao ouro.
Os números reforçam que a criptomoeda apresenta maior penetração entre pessoas físicas, especialmente nas gerações mais jovens, mas ainda concentra um volume de capital bastante inferior ao do metal precioso.
No curto prazo, porém, o comportamento do preço continuará dependente da defesa dos US$ 65 mil, da continuidade das entradas nos ETFs e dos desdobramentos do conflito no Estreito de Ormuz.






