A Vivo (VIVT3) registrou seu melhor mês em pós-pago desde julho de 2025 e conquistou 47% das novas adições liquidas da indústria, de acordo com o relatório da Anatel, agência reguladora de telecomunicações do Brasil, que analisou dados de telefonia móvel e banda larga de julho de 2026.
Nesse mesmo relatório, também foram analisadas a Tim (TIMS3), que após um junho fraco conseguiu se recuperar e registrou 125 mil adições líquidas, em detrimento das adições de pré-pago.
A Claro, controlada pela América Móvel, apesar de bater o novo recorde em fibra óptica no mês, obteve resultados mistos com as adições de pós-pago caindo para 139 mil, o pior resultado em comparação com as concorrentes.
“Os dados mensais não mudaram o debate sobre preços”, reforçam os analistas Silvio Doria e Guilherme Bellizzi Motta, do Banco Safra, que mantiveram as recomendações de compra neutras para Vivo e Tim, e desempenho superior (outperform) para a América Móvil (AMX).
Guerra de preços
Vale citar que o Safra cortou a recomendação para as ações da Vivo em 19 de agosto ao avaliar os efeitos dos descontos aplicados pela empresa sobre a sua receita. O banco fez um teste de sensibilidade sobre o efeito de um ciclo promocional mais longo no lucro de 2027. O exercício aplica o desconto apenas à fatia de clientes novos do plano Controle, onde a disputa está concentrada.
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No cenário-base, 40% das novas adesões pós-pagas recebem desconto efetivo de 20%. O custo é de cerca de R$ 145 milhões de Ebitda na Vivo e R$ 38 milhões na TIM. Isso equivale a 1,3% e 0,6% do lucro líquido, respectivamente.
Os acréscimos líquidos de pós-pago, excluindo as linhas de entre máquinas (M2M), como as maquininas de pagamentos, e focando apenas em pessoas físicas, somaram 732 mil linhas em julho, um crescimento de 0,6% em comparação com o mês anterior e de 7,2% em relação ao ano interior, totalizando 127,2 milhões.
A Vivo teve seu melhor mês desde julho de 2025, registrando mais de 345 mil linhas, um crescimento de 0,6% em relação ao mês anterior e elevou sua base para 53,8 milhões, o que representa 42,3% do segmento.
Em contrapartida, a Claro teve um mês mais fraco com mais de 139 mil linhas registradas, o que representa um crescimento de 0,3%, a menor marca da série após uma média de 330 mil por mês no primeiro semestre.
A Tim marcou a adição superior a 125 mil linhas, sendo o primeiro mês após a reestruturação do seu portfólio (TIM Ultra Combo, TIM Fit e a parceria com o PicPay). O crescimento foi de 0,5% em relação à junho.
Os MVNOs, operadoras de redes móveis virtuais, e as operadoras regionais tiveram uma contribuição estável nos últimos quatro meses, adicionando 123 mil linhas que são equivalentes a 16,8% dos acréscimos líquidos.
Pré-pago
O cenário do pré-pago já é menos otimista. O segmento perdeu 271 mil linhas em julho, após o desligamento de 314 mil linhas em junho, o que confirma que os ganhos de 126 mil em maio foram um evento isolado.
A Vivo perdeu 96 mil linhas, a Tim perdeu 89 mil linhas e a Claro perdeu 47 mil linhas. O resultado negativo é decorrente de novos produtos de entrada como o Vivo Easy Lite e Tim Fit, que foram criados para fidelizar clientes pré-pagos, a partir da migração para planos com fartura em cartão.
A Nucel, operadora do Nubank (ROXO34) em parceria com Claro, alcançou 1,11 milhão de acessos em julho, elevando a quantidade de linhas em 19% desde abril, gerando 929 mil linhas. Apesar do ritmo das adições ter diminuído por dois meses seguidos, a Nucel só representa 1,2% da base total da Claro.
“Como as linhas da NuCel são cobradas como planos recorrentes e estão incluídas nos números pós-pagos da Claro, elas representaram aproximadamente um terço das 139 mil adições líquidas pós-pagas ex-M2M da Claro em julho, o que significa que as adições da própria marca da Claro foram mais fracas do que o número divulgado sugere”, explicam os analistas.
Banda larga
Créditos: Adobe Stock
A banda larga fixa finalizou julho com 56,8 milhões de linhas. Os provedores regionais tiveram uma queda provisória de 1,19 milhão, que a Anatel costuma ajustar para cima em razão dos pequenos provedores que reportam mais tarde.
A Vivo adicionou 70 mil linhas, um aumento de 0,8% em relação ao mês anterior e um total de linhas em 8,48 milhões. A Tim adicionou 12 mil linhas no seu melhor mês, um aumento de 1,3% e um total de linhas em 92 milhões. A Claro adicionou 38 mil linhas, um aumento de 0,3% e um total de linhas em 10,84 milhões.
“Em relação à participação de mercado, os três operadores nacionais detêm cerca de 35% da base de banda larga fixa, um nível que se manteve estável no último ano, com a composição mudando entre eles”, declaram os analistas.
A participação da Claro caiu em média 70 pontos-base em relação ao ano anterior, para 18,7%, à medida que as desconexões de HFC (Fibra Híbrida Coaxial) compensaram o crescimento da fibra. A participação da Vivo subiu em média 20 pontos-base, para 14,5%, e a da TIM subiu em média 10 pontos-base, para 1,6%.
No FTTH, tecnologia de internet fixa que usa a fibra óptica para chegar diretamente à residência do cliente, as grandes operadoras estão conquistando seu espaço, com a Claro subindo 7,1% em relação ao mês passado, Vivo subindo 18% e a Tim subindo 2%. A Oi (OIBR3), que teve falência decretada pela justiça carioca em agosto, registrou o primeiro ganho mensal da série adicionando 10 mil linhas.
Enquanto isso, os provedores ISPs (Provedor de Serviços de Internet) apresentaram um desempenho misto. A Unifique (FIQE3) e Brisanet (BRST3) subiram 5 e 4 mil, respectivamente, enquanto a Vero e Desktop (DESK3), caíram 6 e 1,5 mil, respectivamente.
Na banda larga via satélite, a Starlink registrou 871 mil assinantes em julho e mais 45 mil em junho, o que representa cerca de 1,5% dos acessos de banda larga fixa. Em contra partida a HughesNet, segunda maior provedora de satélite, permaneceu perdendo linhas (queda de 121 mil linhas em julho).
“O crescimento (da Starlink) continua se concentrado em municípios de baixa densidade, onde a cobertura terrestre é mais fraca.”, ressaltaram Daniel Federle e Flávia Meireles.