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Vivo está dando desconto demais? Safra corta ação para neutro

Vivo está dando desconto demais? Safra corta ação para neutro

Teste de sensibilidade do banco mostra que descontos a novos clientes pesam mais sobre o lucro da Vivo do que sobre o da TIM

O Banco Safra rebaixou a recomendação da Vivo (VIVT3) para neutra, de compra. O preço-alvo para os próximos doze meses caiu para R$ 37, de R$ 42. A mudança consta em relatório do banco divulgado nesta quarta-feira (19).

“O rebaixamento da Vivo para neutra reflete a compressão no crescimento real da receita de serviços móveis, um front book (carteira de clientes novos) mais promocional e premissas de valuation mais conservadoras para os ativos locais”, escreveram Silvio Doria e Guilherme Bellizzi Motta, analistas do Banco Safra.

A maior parte das revisões ficou abaixo da linha do Ebitda. O indicador pouco mudou nas duas empresas, mas o lucro líquido caiu tanto na Vivo quanto na TIM. Na Vivo, o lucro líquido projetado caiu 2% para 2026 e cerca de 5,5% para 2027. A queda reflete despesas maiores de depreciação e amortização, mesmo com o Ebitda um pouco mais alto.

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Para o Safra, os cortes de lucro refletem uma estrutura de capital mais pesada, não uma piora operacional. A Vivo segue como a operadora local de maior qualidade.

“A Vivo continua sendo a operadora local de maior qualidade, apoiada na convergência, em uma base de clientes premium e em um mix de receita mais amplo, mas o crescimento mais lento não sustenta mais o mesmo prêmio de valuation”, apontaram Doria e Motta.

Crescimento real da receita móvel perde força

O crescimento real da receita de serviços móveis, descontada a inflação, vem perdendo força. Na Vivo, o indicador caiu de cerca de 5% no início de 2024 para 1,7% no 2º trimestre de 2026. Na TIM, a métrica foi de cerca de 3,5% para -0,2% no mesmo intervalo, o primeiro resultado negativo da série.

“O crescimento perpétuo acima da inflação é mais difícil de justificar em um mercado maduro e com alta penetração, com dúvidas crescentes sobre o poder de precificação no longo prazo e incerteza adicional vinda de alternativas via satélite”, escreveram Doria e Motta.

O Safra elevou a premissa de beta de 1,05 para 1,10. Isso levou o custo de capital próprio a cerca de 15,4%. O WACC, custo médio ponderado de capital, foi a cerca de 13,9% na Vivo e 14,0% na TIM. A taxa de crescimento na perpetuidade para as operadoras brasileiras caiu de 4,0% para 3%. O novo patamar está alinhado à inflação de longo prazo.

Vivo
(Imagem: Leonardo AI)

Vivo é mais exposta a descontos para novos clientes

O Safra fez um teste de sensibilidade sobre o efeito de um ciclo promocional mais longo no lucro de 2027. O exercício aplica o desconto apenas à fatia de clientes novos do plano Controle, onde a disputa está concentrada. No cenário-base, 40% das novas adesões pós-pagas recebem desconto efetivo de 20%. O custo é de cerca de R$ 145 milhões de Ebitda na Vivo e R$ 38 milhões na TIM. Isso equivale a 1,3% e 0,6% do lucro líquido, respectivamente.

O Safra também testou um cenário mais estressado. Com metade das adesões recebendo desconto de 25%, o impacto sobe para 2% do lucro na Vivo e 1% na TIM. No cenário mais pessimista, com desconto de 30% em todas as adesões, o efeito chegaria a 6% do lucro da Vivo. Na TIM, seria de 3%. O banco considera esse desconto amplo pouco provável.

A TIM pode parecer mais vulnerável, por ter um mix mais concentrado em celular. O Safra chegou a uma conclusão diferente sobre qual operadora sofre mais com a pressão comercial atual. O risco maior para as estimativas seria um corte de preços na base já instalada de clientes. Até agora, não há evidências desse movimento.

“A Vivo, e não a TIM, está mais exposta à pressão do front book. Os descontos afetam os clientes novos, e a Vivo adiciona mais clientes pós-pagos que a TIM, o que explica o impacto maior sobre o lucro”, escreveram Doria e Motta.

O front book se refere ao portfólio de planos, preços e ofertas comerciais atualizado e voltado especificamente para a aquisição de novos clientes.

Setor de telecomunicações vira de líder a lanterna em 2026

O setor de telecomunicações começou 2026 como um dos melhores desempenhos da bolsa, sustentado por lucros resilientes e dividendos atrativos. As ações de comunicações chegaram a subir cerca de 31% no ano até o fim de fevereiro.

O ritmo perdeu força a partir de maio, e a recuperação de julho não durou. Em 14 de agosto, o setor acumulava queda de cerca de 10% no ano. A reversão desde o pico passou de 40 pontos percentuais.

“A velocidade do movimento sugere que os investidores agora exigem mais visibilidade sobre preços antes de voltar a dar crédito ao setor por seus lucros defensivos e pela geração de caixa”, concluíram Doria e Motta.

O Safra manteve a TIM (TIMS3) como neutra, com preço-alvo reduzido para R$ 22, de R$ 28. Para a América Móvil (AMX), dona da Claro, a recomendação seguiu de compra, com preço-alvo mantido em US$ 33,50. O Brasil responde por cerca de 20% do Ebitda do grupo mexicano. O peso menor reduz o efeito do ruído promocional local sobre o resultado consolidado.

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