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Ata do Copom projeta inflação de 5,2%; mas economista não vê sinal relevante

Ata do Copom projeta inflação de 5,2%; mas economista não vê sinal relevante

O documento projeta IPCA de 5,2% em 2026, 3,9% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028

A Ata do Copom divulgada pelo Banco Central mostra uma avaliação mais clara de desaceleração da atividade econômica e da inflação, mas mantém uma comunicação cautelosa sobre os próximos passos da política monetária, segundo o Comitê de Política Monetária. O documento projeta IPCA de 5,2% em 2026, 3,9% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028, período considerado o horizonte relevante para a política monetária.

Apesar da trajetória de queda da inflação projetada, a estimativa para o primeiro trimestre de 2028 ainda fica acima da meta de inflação. O cenário reforça a avaliação do Banco Central de que a política monetária precisa continuar restritiva, sem indicar uma aceleração automática do ciclo de cortes da taxa de juros.

O economista Carlos Lopes, do banco BV, avaliou que não foi visto nenhum sinal relevante na Ata do Copom, e que repete basicamente a sinalização de política do comunicado.

“Há algumas considerações mais detalhadas sobre uma desaceleração da atividade econômica, mas ainda notando uma resiliência importante do mercado de crédito e também do mercado de trabalho, dois fatores que ajudam a manter alguma pressão inflacionária”, explicou ele.

Lopes explicou que o Banco Central aguarda principalmente o cenário eleitoral, mas também a evolução no quadro internacional, política de juros americana para tomar a próxima decisão. Então, a estratégia do BC seria aguardar o que acontece no cenário internacional e o que acontece com o resultado da eleição para na próxima reunião decidir se segue cortando ou não, segundo avaliou ele.

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“Se a gente tiver um resultado da eleição cuja leitura de mercado seja mais favorável, aí a gente pode abrir mais espaço para a continuidade do ciclo de corte de juros”, completa.

BC reconhece desaceleração da atividade

A Ata do Copom apresenta uma mudança de tom em relação ao documento de agosto. Na ocasião, o Banco Central afirmava que os indicadores apontavam para uma “moderação gradual” da atividade. Agora, a autoridade monetária afirma que a desaceleração está concentrada “principalmente em setores mais cíclicos” e utiliza o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre como confirmação desse movimento.

O documento também destaca que os efeitos da política monetária sobre a economia vêm se tornando mais evidentes.

“As evidências de transmissão da política monetária contracionista para a atividade econômica têm se acumulado gradualmente”, afirma a Ata do Copom.

O reconhecimento de uma atividade mais fraca, no entanto, não significa, segundo a comunicação do Banco Central, que haverá necessariamente uma aceleração dos cortes de juros. A autoridade monetária continua destacando a necessidade de acompanhar a evolução das expectativas de inflação e dos demais riscos para a convergência dos preços.

Expectativas de inflação continuam desancoradas

Um dos principais pontos da Ata do Copom é a manutenção da avaliação de que as expectativas de inflação permanecem desancoradas. Nesse cenário, o Banco Central preservou a mensagem de que “em um ambiente de expectativas desancoradas exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo”.

A instituição também afirma que a inflação continua pressionada pela demanda e avalia que os riscos permanecem com assimetria altista. Outro ponto de atenção é o comportamento da inflação de serviços, que pode apresentar maior resiliência.

Com isso, a melhora recente dos indicadores de inflação e atividade não é apresentada como suficiente para justificar uma mudança mais rápida na condução da política monetária.

Política fiscal entra novamente no diagnóstico

A Ata do Copom também voltou a associar diretamente a política fiscal à sustentabilidade da dívida pública, ao prêmio a termo e à taxa de juros neutra.

Segundo o documento, as incertezas relacionadas à estabilização da dívida podem elevar a taxa de juros neutra e, consequentemente, aumentar o custo do processo de desinflação. O Banco Central reforçou ainda a necessidade de que as políticas fiscal e monetária sejam conduzidas de maneira “harmoniosa”.

A avaliação indica que o cenário fiscal é considerado relevante para as condições financeiras e para o esforço necessário para levar a inflação em direção à meta.

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