O mercado de papel e celulose começa a apresentar sinais de melhora, com a recuperação dos preços da celulose na China e uma perspectiva de maior equilíbrio entre oferta e demanda global. Em relatório, o Banco do Brasil (BBAS3) destaca que a redução da oferta mundial, combinada ao adiamento de projetos de expansão, pode sustentar as cotações da commodity nos próximos meses.
A oferta global de celulose voltou a recuar em julho, dado mais recente disponível, com queda de 7,7% na comparação mensal para a fibra curta e de 6,1% para a fibra longa. Para o Banco do Brasil, o movimento contribui para um cenário mais apertado de oferta no curto prazo.
Na China, principal ponto de atenção para o mercado global, as importações de celulose ficaram estáveis em agosto ante julho. Embora os preços tenham continuado em trajetória de queda até agosto, houve uma recuperação ao longo de setembro, acompanhada por novos reajustes anunciados para outubro.
O cenário de custos também começa a pressionar os produtores chineses. As empresas locais enfrentam despesas maiores com madeira, em razão do encarecimento dos cavacos importados na Ásia. Ao mesmo tempo, os conflitos geopolíticos continuam elevando os custos de logística, energia e insumos químicos.
Segundo o Banco do Brasil, a combinação desses fatores com uma oferta global mais restrita pode oferecer suporte adicional aos preços da celulose. O adiamento de projetos de expansão também reduz a perspectiva de entrada de novos volumes no mercado nos próximos meses.
Na Europa, os estoques de celulose nos portos avançaram 20% em julho na comparação mensal e retornaram à média histórica, após terem atingido o menor nível em dois anos. Apesar da recomposição, os estoques ainda estavam aproximadamente 12% abaixo do registrado um ano antes.
Brasil reduz embarques
No Brasil, as exportações de celulose voltaram a recuar em agosto. Os embarques somaram aproximadamente 1,6 milhão de toneladas, queda de 17,3% ante julho e de 3,6% na comparação anual. A retração refletiu a redução das vendas para todas as principais regiões de destino.
Apesar da queda nos volumes, o preço médio de exportação continuou avançando e alcançou US$ 549 por tonelada, alta de 2% em relação a julho. Dados preliminares de setembro apontam, por outro lado, crescimento de 30,7% no volume médio diário exportado, enquanto o preço médio por tonelada recuou 8,2% na comparação mensal.
O comportamento dos embarques brasileiros ocorre em um momento de atenção para as condições da indústria. Em setembro, o Índice de Confiança do Empresário Industrial recuou 1,4 ponto, para 44,9 pontos, permanecendo abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança, pelo 21º mês consecutivo.
No segmento de papel e celulose, o indicador também continuou deteriorando, atingindo 44,3 pontos, queda de 0,4 ponto em relação ao mês anterior.
Embalagens mantêm crescimento
Na indústria de embalagens, a produção física de papel e papelão alcançou 105,2 pontos em julho, avanço de 3,1 pontos na comparação mensal. Apesar disso, o indicador permaneceu 5,4 pontos abaixo do registrado um ano antes.
A expedição de caixas, acessórios e chapas de papelão ondulado somou aproximadamente 390 mil toneladas em julho, alta de 0,3% na comparação anual. No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, o segmento registra crescimento de 2,5%.
Os dados preliminares de agosto, contudo, sinalizam uma leve perda de ritmo, com retração de 0,8% na comparação anual.
Na distribuição por setores, os produtos alimentícios ganharam participação e responderam por 49,9% das expedições, avanço de 1,2 ponto percentual em relação a julho. Já a horticultura perdeu 0,6 ponto percentual, para 9,8%.
O cenário traçado pelo Banco do Brasil combina sinais distintos: a indústria doméstica permanece pressionada, mas o mercado internacional de celulose começa a mostrar fundamentos mais favoráveis. A queda da oferta global, os custos mais elevados dos produtores e a recuperação recente dos preços na China podem criar um ambiente de maior sustentação para a commodity nos próximos meses.
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