O Santander elevou o preço-alvo da Fleury (FLRY3) para R$ 25 por ação no fim de 2027, ante os R$ 15,80 projetados para 2026, mas manteve a recomendação neutra. O motivo da cautela não está na operação, e sim no preço.
O papel acumula alta de 47% no ano, bem à frente dos 14% do Ibovespa. O desempenho relativo forte reflete uma execução operacional sólida, que vem sustentando revisões expressivas para cima nas estimativas de lucro.
“Esperamos novas revisões para cima nas estimativas de consenso, uma vez que nossas projeções estão aproximadamente 10% acima das estimativas do mercado”, aponta Caio Moscardini, analista do Santander.
O banco também espera um terceiro trimestre robusto.
O que sustenta a ação no curto prazo
Dois fatores técnicos ajudam a segurar o papel. O volume elevado de posições vendidas, que pode gerar recompras forçadas em caso de alta, e o dividend yield perto de dois dígitos.
Nos fundamentos, a estimativa é de crescimento orgânico da receita líquida de cerca de 9,5% neste ano e 8,6% em 2027, ritmo que pode chegar a dois dígitos com a consolidação da Femme.
A margem Ebitda deve recuar levemente em 2026 e se recuperar para 25,9% no ano seguinte, com ganho de 20 pontos-base, puxada por eficiência e sinergias de aquisições.
Por que a recomendação segue neutra
O entrave é o múltiplo. A ação negocia a 12,3 vezes o lucro projetado para 2027, patamar que, na leitura do banco, já incorpora toda essa dinâmica positiva.
“Em um cenário macro mais otimista, as ações da companhia podem ficar atrás de nomes com maior alavancagem operacional, incluindo Rede D’Or (RDOR3) e Hypera (HYPE3)”, observa Moscardini.
A geração de caixa segue como ponto forte, com rendimento de fluxo de caixa livre estimado em 5% neste ano e 8% em 2027, o que pode virar dividendo maior caso a empresa não faça novas aquisições.






