O PCE dos EUA, índice de preços de gastos com consumo, subiu 0,3% em agosto, abaixo dos 0,4% esperados pelo mercado. Em 12 meses, a alta chegou a 3,4%, ante projeção de 3,7%. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (30) pelo Departamento de Comércio.
O dado de inflação dividiu espaço com uma surpresa na atividade. A terceira e última estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do 2º trimestre de 2026 mostrou crescimento de 2,2% em ritmo anualizado. A leitura anterior era de 1,5%, mesmo patamar esperado pelo mercado.
O que o PCE dos EUA indica para os juros
O PCE é a medida de inflação preferida do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Por isso, costuma ser decisivo para as apostas sobre a política monetária. Desta vez, no entanto, o mercado precisou lê-lo ao lado do PIB.
“Os dois dados puxam as apostas de juros em direções opostas. A revisão para cima do PIB reforça o diagnóstico de uma economia forte, sustentada pelo consumo e pelo investimento, e tende a aumentar a expectativa de juros mais altos à frente”, disse Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.
No detalhe da inflação, os preços subjacentes desaceleraram. O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% em agosto, ante projeção de 0,3%. Em 12 meses, a alta foi de 3,0%, contra 3,3% esperados.
“Já a inflação abaixo do esperado joga no sentido contrário, reduzindo a urgência para novas altas. O ponto é que o PCE segue bem acima da meta de 2%”, observou Kayo.
A última estimativa do trimestre ainda revisou para baixo a inflação do período. O PCE cheio subiu a uma taxa anualizada de 5% entre abril e junho, ante 5,3% na leitura anterior. O núcleo passou de 3,6% para 3,3%.
“O Fed tem deixado claro que o combate à inflação é prioridade, com atividade e mercado de trabalho resilientes. Enquanto esse quadro se mantiver, uma leitura de inflação melhor na margem tende a pesar menos do que a força da economia na condução da política monetária”, afirmou o economista.






