O BTG Pactual destacou que a administração da Itaúsa (ITSA4) ainda vê espaço para reduzir o desconto de holding, que recuou cerca de 6,5 pontos percentuais neste ano, para 18%. A avaliação consta de relatório sobre o Itaúsa Day 2026, realizado no dia 8 de outubro.
O desconto de holding compara o valor de mercado da Itaúsa com o valor de suas participações nas empresas investidas, como o Itaú (ITUB4) e a Alpargatas (ALPA4), por exemplo. A redução desse indicador aproxima a avaliação da holding do valor atribuído ao conjunto de seus investimentos.
Durante o evento, a administração reiterou os fatores que podem sustentar uma redução adicional do desconto. O encontro reuniu o CEO Alfredo Setubal, a CFO Priscila Grecco e outros executivos da companhia.
“Mesmo após o desconto de holding diminuir cerca de 6,5 pontos percentuais neste ano, para 18%, a administração ainda vê espaço para uma redução adicional, apoiada por menores ineficiências tributárias, dividendos de ativos não financeiros e potencial de destravamento de valor em empresas não listadas. Essa visão foi reiterada no Itaúsa Day”, afirma o BTG.
A discussão acompanha a evolução da Itaúsa para uma gestão mais ativa do portfólio. Segundo o banco de investimentos, a holding reforçou a governança e o monitoramento de riscos, criou uma equipe dedicada à gestão da carteira e ampliou sua atuação junto às investidas, com foco em supervisão e disciplina na alocação de capital.
“A administração desenvolveu ferramentas para consolidar informações públicas e internas, acompanhar o desempenho das empresas e as avaliações do mercado e apoiar discussões regulares com as investidas. Também padronizou sua análise de risco e retorno e usa simulações para avaliar o impacto de potenciais investimentos sobre o portfólio como um todo”, descreve o relatório.
Juros e oportunidades
Conforme o relato do BTG, Setubal considera que o novo contexto político poderia criar um ambiente mais favorável, especialmente com juros menores. A administração, porém, vê incertezas sobre as políticas e a composição de uma eventual nova gestão federal, e admite que 2027 ainda pode ser desafiador.
“Juros menores poderiam beneficiar as empresas do portfólio e tornar novos investimentos mais atraentes, embora seja cedo demais para dizer se alguma nova adição à carteira será buscada. O balanço da Itaúsa está preparado para apoiar oportunidades, mas a administração mantém a disciplina e também pode considerar vender ativos mais maduros se identificar uma saída atraente”, aponta o BTG.
O Itaú permanece como o principal ativo da carteira e uma parte central da tese de investimento, segundo o banco. No evento, Setubal destacou o crescimento do crédito com inadimplência controlada, a elevada rentabilidade sobre o patrimônio e a disciplina na gestão de riscos.
“Se as perspectivas macroeconômicas melhorarem, o banco poderá se tornar mais agressivo no crescimento do crédito, embora Setubal tenha nos lembrado que o controle familiar sempre reforçou uma abordagem prudente e conservadora em relação ao risco, já que a família mantém investimentos relevantes no banco”, relata o BTG.
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