A Itaúsa (ITSA4) espera economizar cerca de R$ 800 milhões por ano com a eliminação de uma distorção tributária a partir de janeiro de 2027, o que deve reforçar a geração de caixa da holding e ampliar sua capacidade de remunerar os acionistas. A estimativa foi apresentada durante o Itaúsa Day 2026, segundo relatório do banco Safra.
Além do benefício fiscal, a companhia destacou que pretende aproveitar um eventual ambiente de juros mais baixos para avaliar novas oportunidades de investimento, sem abrir mão da disciplina na alocação de capital e da postura conservadora em relação ao endividamento.
De acordo com o Safra, a Itaúsa busca evoluir de uma holding tradicional para uma gestora de portfólio mais ativa, com maior participação estratégica nas empresas investidas e foco na criação de valor no longo prazo.
Itaúsa pode ampliar investimentos com queda dos juros
A administração da Itaúsa afirmou que a redução das taxas de juros tende a melhorar as condições de financiamento e ampliar o leque de oportunidades para novos investimentos e eventuais mudanças na composição do portfólio.
Entre os setores avaliados estão infraestrutura, energia, farmacêutico e segmentos selecionados do agronegócio. A companhia, porém, condiciona novos aportes à combinação entre qualidade dos ativos, parceiros adequados e retorno esperado.
Segundo o relatório do Safra, a solidez do balanço oferece capacidade financeira para aproveitar oportunidades, mas a empresa reiterou que não pretende flexibilizar seus critérios de rentabilidade nem assumir riscos excessivos.
A mesma lógica orienta possíveis desinvestimentos, que devem considerar o estágio de maturidade de cada ativo, o potencial de valorização remanescente e as condições de mercado.
IPOs podem reduzir desconto da holding
Outro ponto destacado no Itaúsa Day foi a possibilidade de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) de empresas não listadas do portfólio. Segundo o Safra, a maior transparência sobre o valor desses ativos poderia contribuir para reduzir o desconto com que as ações da holding são negociadas em relação ao valor de seus investimentos.
Esse desconto chegou recentemente a cerca de 18%, após uma redução significativa, de acordo com o relatório.
Como parte do portfólio da Itaúsa não possui preços observáveis no mercado, eventuais aberturas de capital poderiam tornar mais evidente o valor desses negócios para os investidores. A reciclagem de ativos também foi mencionada como uma possibilidade para melhorar a alocação de recursos.
As iniciativas, contudo, foram tratadas pela administração como oportunidades de médio prazo, e não como catalisadores iminentes.
No caso da Aegea, uma eventual abertura de capital também poderia contribuir para uma redução mais estrutural do endividamento da companhia. O Safra ressalta que não há, neste momento, discussão sobre um novo aporte de capital da Itaúsa na empresa. Os dois aportes anteriores contam com uma proteção de retorno mínimo de 15%, prevista por meio de um possível ajuste de participação societária.
Dividendos das investidas devem ganhar relevância
A geração de caixa da Itaúsa também deve ser favorecida pelo aumento esperado dos dividendos distribuídos pelas empresas não financeiras do portfólio, à medida que esses negócios amadurecem.
Essas investidas repassaram R$ 1 bilhão à holding no ano passado e acumularam R$ 4 bilhões em distribuições desde 2017. No mesmo período de referência apresentado no relatório, os investimentos realizados nesses negócios somaram R$ 12 bilhões.
A expectativa é que as contribuições cresçam gradualmente, ampliando as fontes recorrentes de caixa da companhia para além dos recursos provenientes do Itaú.
A mudança tributária prevista para 2027 deve reforçar esse movimento. Segundo a administração, a eliminação do PIS/Cofins e a não incidência de IBS/CBS sobre receitas financeiras, incluindo juros sobre capital próprio recebidos pela Itaúsa, devem eliminar aproximadamente R$ 800 milhões em despesas tributárias anuais.
A economia tende a fortalecer os resultados, ampliar a flexibilidade financeira e aumentar a capacidade de distribuição de recursos aos acionistas.
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