As vendas líquidas da Mitre (MTRE3) caíram 9% em um ano, para R$ 254 milhões no terceiro trimestre de 2026, mas resultaram em avaliações distintas entre os analistas. O valor superou em 29% a estimativa do BTG Pactual e ficou 40% abaixo da projeção do Itaú BBA.
Nos relatórios divulgados na terça-feira (13), o BTG manteve recomendação neutra, enquanto o BBA reiterou market perform, expectativa de desempenho em linha com o mercado. Ambos destacam a rentabilidade limitada da incorporadora como motivo para a cautela.
Expectativas distintas
As vendas brutas atingiram R$ 276 milhões, queda de 12% na comparação anual. Os distratos, cancelamentos de contratos de compra de imóveis, somaram R$ 22 milhões, recuo de 32% em um ano.
“A Mitre não lançou um único projeto no terceiro trimestre, concentrando-se nas vendas de estoque, que tiveram bom desempenho. A companhia encerrou o trimestre com cerca de R$ 1,7 bilhão em estoques, equivalentes a aproximadamente 18 meses de vendas, enquanto entregou três projetos no terceiro trimestre de 2026, no valor de R$ 596 milhões”, destaca o BTG.
A velocidade de vendas ficou em 13%, acima dos 9% do segundo trimestre de 2026 e em linha com o mesmo período de 2025. O indicador relaciona as vendas à oferta de imóveis.
Para o Itaú BBA, o volume de lançamentos abaixo do esperado nos nove primeiros meses ajuda a explicar as vendas inferiores à sua projeção. A Mitre lançou R$ 917 milhões no período, enquanto o banco esperava R$ 1,8 bilhão.
Rentabilidade limitada
Os bancos avaliam o desconto das ações junto à rentabilidade da Mitre. No BTG, a alavancagem acima da média também pesa na recomendação neutra.
“Os números operacionais superaram nossas estimativas, já que as vendas de estoque tiveram desempenho melhor do que o esperado. Apesar de um trimestre satisfatório e de uma avaliação descontada, a 0,4 vez o patrimônio tangível, mantemos nossa recomendação neutra para a Mitre, pois a companhia ainda apresenta retorno sobre o patrimônio baixo e alavancagem acima da média”, avaliam Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris, do BTG.
O Itaú BBA vê condições desafiadoras no segmento de média e alta renda, com vendas mais fracas e estoques elevados em São Paulo. A possibilidade de juros menores não foi suficiente para mudar sua recomendação.
“Embora um cenário macroeconômico potencialmente mais favorável para os juros de longo prazo possa trazer algum alívio, e as ações da Mitre continuem negociadas com desconto, a 0,45 vez o patrimônio tangível, preferimos manter nossa recomendação market perform diante da perspectiva limitada para o retorno sobre o patrimônio no curto e médio prazo”, afirma o Itaú BBA.
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Preços e lançamentos
O BTG trabalha com preço-alvo de R$ 4,80 para 12 meses, potencial de alta de 22,1% sobre a cotação de referência de R$ 3,93. O BBA indica alvo de R$ 4,60, com cotação de R$ 4,09 em seu relatório.
O BBA também cita o Casa Parque Cerâmica, projeto de R$ 565 milhões em São Caetano do Sul, com lançamento previsto para novembro de 2026. A iniciativa será desenvolvida em parceria com a Construtora Basilar, com participação de 51% da Mitre.






