Os balanços dos grandes bancos americanos no terceiro trimestre de 2026 mostram um setor que preserva a qualidade do crédito, mas ainda tem dúvidas sobre sua capacidade de crescer com juros elevados. Essa é a avaliação de William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, sobre os resultados divulgados nesta semana.
Além do lucro, o mercado também acompanhou a origem das receitas, a capacidade de pagamento dos clientes e as perspectivas para novos empréstimos, que ajudam a indicar o ritmo da atividade econômica americana.
Negócios diferentes
A análise de Castro Alves começa pelas fontes de receita. Empréstimos a famílias e empresas respondem de forma diferente aos juros em comparação com assessoria a grandes companhias, negociação de ativos e administração de patrimônio.
“Os resultados dos grandes bancos americanos precisam ser analisados de acordo com o perfil de atuação de cada instituição. Goldman Sachs (GS; GSGI34) e Morgan Stanley (MS; MSBR34), por exemplo, têm operações bastante diferentes das de JPMorgan (JPM; JPMC34), Bank of America (BAC; BOAC34), Citigroup (C; CTGP34) e Wells Fargo (WFC; WFCO34), que possuem maior exposição ao varejo bancário. Essas diferenças ajudam a explicar o desempenho de cada instituição nesta temporada de balanços”, explica Castro Alves.
No Goldman Sachs, a receita na área de ações cresceu 72% em relação ao terceiro trimestre de 2025, para US$ 6,44 bilhões. Segundo o estrategista, a volatilidade favorece a atividade de negociação, na qual o banco oferece liquidez e atua como contraparte dos investidores.
No Morgan Stanley, a gestão de patrimônio gerou US$ 9,1 bilhões de receita, diante de US$ 20,3 bilhões no total do banco. Castro Alves avalia que a administração de recursos de longo prazo dá maior estabilidade ao negócio, enquanto o aumento dos ativos administrados ajuda a compensar a pressão sobre as taxas cobradas.
Há também fatores específicos de cada instituição. O analista destaca a reestruturação do Citigroup e a multa regulatória que pesou sobre o lucro do Bank of America. Esses elementos precisam ser considerados ao relacionar o resultado de um banco ao cenário econômico.
Qualidade do crédito
Para avaliar a saúde financeira dos clientes, dois indicadores ganharamm relevância: a inadimplência, que mostra atrasos nos pagamentos, e as provisões, despesas reconhecidas pelos bancos para cobrir perdas esperadas com crédito. Eles ajudam a entender se a capacidade de pagamento está se deteriorando.
“Por outro lado, um aspecto importante é que não houve sinais relevantes de piora na qualidade das carteiras de crédito. Os índices de inadimplência em cartões de crédito permaneceram estáveis ou recuaram na maior parte das instituições”, afirma o estrategista.
No JPMorgan, por exemplo, as provisões para perdas com crédito ficaram em US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre, abaixo dos US$ 3,4 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
“Os movimentos nas provisões também não indicaram uma deterioração generalizada. Em alguns casos, houve aumento das reservas para eventuais perdas futuras, mas isso esteve mais relacionado à preparação para uma possível desaceleração econômica do que a problemas concretos de inadimplência”, avalia Castro Alves.
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Juros e crescimento
A preocupação da Avenue está no efeito dos juros sobre os próximos trimestres. O encarecimento do crédito pode dificultar o pagamento das dívidas, mas também levar famílias e empresas a evitar novos financiamentos. Na avaliação do estrategista, a redução da demanda é o risco mais imediato.
“O segundo risco, que parece mais imediato, é a desaceleração da demanda por crédito. Com taxas de financiamento elevadas, consumidores tendem a adiar decisões como a compra de imóveis, enquanto empresas podem postergar investimentos e novas operações de financiamento”, explica.
Isso cria uma diferença entre a situação dos empréstimos já concedidos e o espaço para novas operações. Mesmo que os clientes continuem pagando suas parcelas, uma procura menor por financiamento pode limitar a expansão das carteiras e das receitas dos bancos.
“Assim, o problema não é necessariamente que os bancos estejam apresentando resultados ruins ou enfrentando uma crise de inadimplência. A questão é que, com os juros nesse patamar, torna-se mais difícil encontrar espaço para um crescimento expressivo dos negócios”, afirma Castro Alves.






