A Irani (RANI3) aposta em customização, automação, eficiência operacional e crescimento orgânico como grandes diferenciais para ganhar mais espaço no mercado brasileiro de embalagens sustentáveis de papelão ondulado. Segundo o relatório do Banco Safra publicado na última quarta-feira (26), a empresa pretende dobrar a participação de mercado de 4% para 8%, até 2034.
A empresa busca na produção personalizada de produtos uma forma de se diferenciar das concorrentes, fugindo da lógica de “commodity”, de produção padronizada, que é comumente utilizada nesse ramo.
A lógica de produção da Irani começa nas equipes comerciais e de P&D, que além de desenhar o produto sob medida para o cliente, avaliam os fatores de composição, tipo da onda, design e rota logística.
Só depois desse processo e da confirmação do pedido é que a produção começa. Desta maneira, a companhia consegue manter um inventário de produtos acabados correspondente a dois dias de demanda.
O processo de automação da empresa
Por trás desses processos, há um modelo de automação e planejamento da produção que permite que o produto se torne eficiente.
Logo após o pedido, todas as informações técnicas são enviadas para a onduladeira e depois as chapas de papelão ondulado são transportadas até os equipamentos de impressão e corte, tudo isso sem a necessidade de intervenção manual.
A máquina de corte e vinco tem um sistema que já deixa pronta a configuração da próxima peça enquanto ainda produz a atual – assim, na troca, a máquina não precisa ser desligada, apenas desacelerada para cerca de 220 m/min.
“Este modelo operacional permite à Irani atender a uma ampla gama de pedidos personalizados, ao mesmo tempo em que minimiza o tempo de inatividade e preserva a produtividade da fábrica”, analisam Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro.
Como a Irani enxerga o mercado
A Empapel, Associação Brasileira de Embalagens Em Papel, projeta um crescimento de volume de cerca de 3%, ainda que no segundo semestre o ritmo de expansão possa desacelerar.
Segundo a companhia, os maiores produtores do ramo detêm entre 42% e 44% do mercado, ao passo que os demais fornecedores detém menos de 1% de participação no mercado. Nesse contexto, é importante salientar que os clientes utilizam de três a quatro fornecedores para atenuar quaisquer riscos de abastecimento.
Enquanto isso, a Irani espera acompanhar, mesmo que ligeiramente, o desempenho do mercado e superar os resultados do segundo semestre de 2026 na comparação com o primeiro semestre.
Priorizando a qualidade acima do preço, a empresa aposta no desenvolvimento de embalagens, suporte técnico e confiabilidade na entrega ao invés de preços mais baixos.
“A Irani enxerga um mercado fragmentado e em crescimento, no qual a qualidade do serviço e a confiabilidade nas entregas podem sustentar novos ganhos de participação de mercado”, afirmam os analistas.
Crescimento orgânico das fábricas
A estratégia de customização exige que a fábrica da companhia possua uma planta flexível para atender às diferentes demandas dos clientes. Deste modo, surgem oportunidades de crescimento orgânico com mais capacidade a fim de sustentar o plano de expansão da Irani a longo prazo.
Iniciativas nas fábricas de Indaiatuba, que oferece espaço para aumentar a produção e manter a disciplina de preços, e a de Minas Gerais, que incluiu o uso de um papel mais leve que permite que o ondulador opere mais rápido, contribuem para o crescimento orgânico a curto prazo e para a construção de base de clientes mais vasta.
“A maior produtividade nas instalações existentes e a nova capacidade devem apoiar a meta da empresa de dobrar sua participação de mercado até 2034”, sugerem os analistas.





