Não há como o mundo se desenvolver para uma economia baseada na inteligência artificial sem um planejamento de empresas e governos para uma produção ordenada das terras raras, avalia Ernest Scheyder, jornalista e autor do livro “The War Below” e especialista no setor.
Scheyder explica que o setor envolve questões geopolíticas, de educação profissional para a exploração dos minérios e financiamento. Ele ressalta o fato de que a nova geração não entende que o cobre e o lítio, por exemplo, são fundamentais para a produção de televisores e celulares.
Especialização
Isso se traduz também na baixa capacitação de profissionais especializados. Ele cita o exemplo americano.
“Os EUA não investiram em escolas de mineração nos últimos temos e muitos mineradores estão se aposentando”, aponta Scheyder. O Brasil, com um grande setor e a maior mineradora de minério de ferro do mundo, e a China, por outro lado, têm uma vantagem neste aspecto.
O especialista chama a atenção para explosão de pedidos de licenças de mineração no Brasil nos últimos 12 meses.
“Vejo alunos que querem trabalhar com IA, chips, processadores, mas não querem aprender mineração, não querem entender a parte química das terras raras, acham a matéria chata. E essa não é a abordagem correta. A China estuda isso em profundidade, por isso está à frente”, aponta Scheyder
Ele até brinca que optou por não colocar “minerais críticos e terras raras” no título do seu livro para não assustar as pessoas pelo baixo conhecimento.
“Eu estou escrevendo um novo livro e quero explorar o fato de que, em tão pouco tempo, este assunto tenha se tornado algo comum em nosso cotidiano”, adiantou o especialista.
Geopolítica das terras raras
Scheyder destaca que o mundo não está mais em uma globalização, mas em um momento de “internalização”. “Os minerais estão onde eles estão, não podemos inventar depósitos de minerais”, pontua.
Um desses exemplos é a Bolívia, que possui concentrações relevantes de lantânio e neodímio. O país deseja não apenas explorar os minérios, mas também beneficiá-los dentro de sua fronteira.
Ou seja, ele explica que os países com grandes recursos não querem repetir os padrões do petróleo ou da borracha do passado. “Eles dizem: queremos exportar, queremos processar, para ter benefício para a economia e o PIB”, destaca.
Desta forma, os minerais críticos hoje, são instrumentos de poder. Todo os governos vão explorar isso.
“Eles querem hoje focar em ter acesso aos minerais críticos, porque toda nossa vida é eletrônica, precisamos desses minerais. Países que têm esses grandes recursos têm poder, mas nós temos barreiras de extrações que temos que superar”, conclui Scheyder.
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