A Irani (RANI3) reportou resultados sólidos no segundo trimestre de 2026, com Ebitda de R$ 132 milhões em linha com as estimativas do BTG Pactual. O destaque do trimestre foi a geração de caixa livre, que atingiu R$ 118 milhões — equivalente a um FCFE yield (Rendimento do Fluxo de Caixa Livre para o Acionista) anualizado de aproximadamente 25%.
O BTG reitera recomendação de compra para o papel, citando valuation atrativo e retorno ao acionista consistente.
“A Irani entregou um trimestre sólido, com operações estáveis, forte geração de caixa e remuneração atrativa aos acionistas“, afirmam Marcelo Arazi, Leonardo Correa e Rodrigo Gotardo, analistas do BTG Pactual.
Normalização operacional impulsiona volumes
Após um primeiro trimestre marcado por paralisações programadas, as operações se normalizaram no segundo trimestre de 2026. Os volumes consolidados de vendas atingiram 76 quilotoneladas, 3% acima das estimativas do BTG e alta de 5% anual.
O papelão ondulado foi o principal destaque, com volumes de 44 quilotoneladas — 4% acima das projeções e alta de 6% anual —, superando a expansão de 3,5% registrada pelo mercado brasileiro, segundo a Empapel.
Com isso, a participação de mercado da Irani avançou para 4,1%, já no teto do guidance de 2026 da companhia. Os volumes de papel para embalagem atingiram 32 quilotoneladas, em linha com as estimativas, com alta de 9% sequencial, refletindo a normalização das operações e o ramp-up gradual da PM#5 no âmbito do Projeto Gaia XI.
Do lado dos custos, o preço do aparas OCC (OCC CIF) subiu 8% sequencial para R$ 1.072 por tonelada, principalmente em função dos maiores custos logísticos após a revisão das tarifas mínimas de frete rodoviário — embora ainda represente queda de 15% anual.
Geração de caixa e retorno ao acionista
A forte geração de caixa do trimestre foi sustentada pela combinação de Ebitda mais elevado, Capex reduzido de R$ 48 milhões e menores despesas financeiras em caixa — reflexo da sazonalidade semestral dos pagamentos de remuneração das debêntures.
“O resultado reflete tanto a forte conversão de caixa da Irani quanto um preço de ação deprimido, cerca de 20% abaixo das máximas de março, apesar de nenhuma mudança relevante nos fundamentos”, destacam os analistas.
A alavancagem recuou de 2,11 para 2,07 vezes a relação dívida líquida/Ebitda, reforçando a expectativa do BTG de que a companhia manterá seu payout de dividendos de 50% até o fim do ano.
Os dividendos distribuídos nos últimos 12 meses implicam yield de aproximadamente 7% e, somados ao programa de recompra em andamento, o retorno total ao acionista deve atingir entre 10% e 11% em 2026.
“Continuamos a ver a Irani como um dos nomes mais resilientes sob nossa cobertura, entregando retorno anualizado sólido de 16% desde o IPO”, concluem Arazi, Correa e Gotardo.
Com a ação negociando a 4,3 vezes EV/Ebitda 2026 e o ROIC esperado convergindo gradualmente para acima de 15%, o BTG avalia que o potencial de crescimento da companhia segue subestimado pelo mercado.






