Depois de oito meses seguidos de alta, a inadimplência do crédito rural finalmente deu um passo atrás em dezembro de 2025. O indicador fechou o ano em 6,5%, levemente abaixo dos 6,6% de novembro, mas ainda em um patamar historicamente elevado e 4,2 pontos porcentuais acima do nível de um ano antes.
Na avaliação da Genial Investimentos, o recuo é um primeiro alívio, mas está longe de encerrar a preocupação com a qualidade dessa carteira.
A casa destaca que o movimento não muda o diagnóstico de fundo. Ao longo de 2025, o crédito rural foi um dos principais vetores de deterioração da inadimplência do sistema financeiro, em um ambiente marcado pela alta dos juros e por dificuldades mais agudas no ciclo agrícola, sobretudo nas lavouras de soja e milho no Centro-Oeste.
“Crédito Rural: primeiro sinal de alívio após oito meses de alta consecutiva”, resumiu a Genial no relatório.
Pressão no agro
A piora da carteira rural, segundo a análise, antecipou o avanço da inadimplência que normalmente aparece alguns meses depois do início de um ciclo de aperto monetário. A tese da Genial era de que esse movimento ganharia força cerca de nove meses após o começo da alta da Selic, em setembro de 2024. No caso do agro, porém, a deterioração veio antes.
A explicação está na combinação de fatores que pressionou os produtores ao longo do ano. A casa cita a queda dos preços das commodities agrícolas e o endividamento excessivo de parte dos clientes do agronegócio como gatilhos para elevar as dificuldades financeiras no campo.
Esse quadro ajudou a empurrar a inadimplência rural para o maior nível da série histórica desde 2011 em novembro, antes da leve acomodação de dezembro. A inadimplência curta, que mede atrasos entre 15 e 90 dias, também recuou no mês, para 2,6%, após ter mostrado pressão relevante ao longo de 2025.
Para a Genial, essa melhora marginal precisa ser lida com cautela. O relatório afirma que a carteira rural “segue como um ponto de atenção relevante para empresas e investidores”, justamente porque foi ela que manteve os indicadores acima de 90 dias pressionados durante boa parte do ano.
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BB no radar
Nesse contexto, a análise chama atenção especialmente para o Banco do Brasil (BBAS3), pela exposição mais elevada ao agronegócio. Embora o relatório trate da dinâmica agregada do crédito, a leitura é que o banco estatal tende a sentir de forma mais direta os efeitos de uma piora prolongada no setor rural.
Em outras palavras, dezembro trouxe um sinal técnico melhor para o crédito rural, mas não uma virada de tendência suficientemente clara para aliviar o mercado. Para a Genial, o agro ainda continua no centro da discussão sobre qualidade dos ativos no sistema financeiro, mesmo após a primeira trégua do indicador em oito meses.






