Em um ambiente operacional mais complexo para o agronegócio, o Banco do Brasil (BBAS3) busca soluções para estabilizar o crédito que concede para este segmento. Por isso, está empreendendo um esforço para normalizar essa dinâmica. Em relatório do banco Safra, a área de Relações com Investidores do BB relatou que ajustou seu apetite de risco, utilizando renegociações principalmente como ferramenta para conter a formação de novos créditos inadimplentes (NPLs) e apoiar os clientes ao longo do ciclo.
“Os critérios de originação foram recalibrados, com maior uso de garantias, maior seletividade em relação a tomadores de melhor qualidade e menor exposição por cliente. Em linha com essa abordagem mais equilibrada, a administração espera que a carteira de agronegócio permaneça praticamente estável em 2026”, diz trecho do relatório.
Além disso, o documento do Safra mostrou que aproximadamente de 25% da carteira rural teve seu prazo ampliado por meio de renegociações ou rolagens, o que deve ajudar a reduzir a pressão de inadimplência no curto prazo e melhorar a resiliência da carteira ao longo do ano.
Crédito corporativo
Já no crédito corporativo, a administração destacou que o desempenho tem sido fortemente influenciado pelo ciclo de juros. O aumento da taxa Selic na última reunião, considerado mais intenso do que o esperado nos últimos dois anos, pressionou empresas que refinanciaram passivos com expectativa de custos de financiamento mais baixos.
“Como resultado, o banco adotou uma abordagem mais seletiva na originação, priorizando tomadores com fundamentos de crédito mais sólidos e focando em programas com garantia do governo. Os indicadores de inadimplência de pequenas e médias empresas já começaram a mostrar sinais graduais de estabilização”, diz trecho do relatório.
Sobre o consignado privado, a instituição indicou que o crescimento da carteira deve ser impulsionado principalmente por produtos de varejo com spreads mais elevados, ajudando a compensar a pressão da carteira de agronegócio.
“Daqui para frente, a margem financeira deve depender mais de spreads de crédito de clientes, que oferecem uma base de resultados mais estável. Em um ambiente de queda da Selic, os custos de captação normalmente se ajustam mais rapidamente do que os rendimentos dos empréstimos, criando um impulso temporário positivo para os spreads”, informa outro trecho do relatório.






