As gigantes da mineração Rio Tinto (RIO) e Glencore (GLEN.L) confirmaram nesta semana que estão em discussões preliminares sobre uma possível combinação de seus negócios. Segundo os comunicados divulgados separadamente pelas companhias, a estrutura em avaliação inclui uma fusão por meio de troca integral de ações, que poderia ser efetivada como uma aquisição da Glencore pela Rio Tinto.
Apesar do peso dos nomes envolvidos, as próprias empresas fizeram questão de reduzir expectativas. Ambas ressaltaram que não há qualquer garantia de que uma oferta será apresentada, tampouco definição sobre termos, estrutura ou cronograma de uma eventual transação.
O pano de fundo: o cobre no centro da estratégia
Na avaliação do Bradesco BBI, o movimento é um reflexo do interesse das grandes mineradoras em aumentar sua exposição ao cobre, um mercado considerado estruturalmente mais fragmentado do que o de minério de ferro.
Caso a operação avançasse, a combinação entre Rio Tinto e Glencore criaria a segunda maior produtora de cobre do mundo, com produção anual estimada em cerca de 1,7 milhão de toneladas.
Ainda assim, mesmo nesse cenário, a participação de mercado global ficaria em torno de 7%, o que reforça a leitura de que a consolidação no segmento ainda tem amplo espaço e não resultaria, ao menos em um primeiro momento, em concentração excessiva da oferta.
Cobre em máxima histórica reforça o apetite por ativos estratégicos
O timing das conversas coincide com um momento de forte valorização do cobre no mercado internacional. Nesta semana, o metal superou a marca de US$ 13 mil por tonelada e renovou máximas históricas, pressionado por restrições na oferta global e pelo avanço da demanda ligada à transição energética, inteligência artificial e setores estratégicos, como Defesa.
Segundo apuração do EuQueroInvestir, paralisações em minas relevantes ao redor do mundo e greves em importantes polos produtores reforçaram a percepção de escassez estrutural. Ao mesmo tempo, novos projetos enfrentam elevados custos de investimento e longos prazos até entrarem em operação, o que mantém o mercado sensível a choques de oferta.
Esse ambiente tem alimentado o interesse das grandes mineradoras por ativos de cobre, em um contexto em que a segurança de suprimento se tornou um fator estratégico.
“Esse movimento ressalta o crescente interesse das principais mineradoras em aumentar sua exposição a ativos de cobre, um mercado que permanece altamente fragmentado. Se o negócio avançar, criaria a segunda maior produtora de cobre do mundo, mas consideramos essa transação longe de ser um acordo fechado, visto que as duas empresas já realizaram diversas discussões para combinar seus negócios no passado”, afirmam os analistas do Bradesco BBI, em relatório.
Por que o “casamento” ainda está distante
Apesar do contexto favorável ao cobre, os comunicados das companhias adotam uma linguagem cautelosa. Tanto Rio Tinto quanto Glencore reforçaram que as conversas estão em estágio preliminar e que não há certeza de que qualquer oferta será feita, nem sobre os termos de uma eventual proposta.
Do ponto de vista regulatório, a Rio Tinto tem até o dia 5 de fevereiro para anunciar uma intenção firme de oferta ou comunicar formalmente que não pretende avançar com a aquisição, conforme as regras do mercado britânico de fusões e aquisições. Esse prazo pode ser estendido apenas com autorização do painel regulador.
Além disso, a complexa estrutura societária da Rio Tinto, organizada sob o modelo de dual listed companies, e a necessidade de aprovações em múltiplas jurisdições adicionam camadas de risco e incerteza ao processo.
Histórico reforça leitura de flerte, não de compromisso
Outro fator que sustenta o ceticismo é o histórico entre as duas companhias. Segundo o Bradesco BBI, Rio Tinto e Glencore já mantiveram discussões semelhantes no passado, sem que elas resultassem em uma combinação efetiva de ativos.
Esse retrospecto reforça a leitura de que as conversas atuais se enquadram mais como um movimento exploratório, em resposta ao ciclo favorável do cobre, do que como um passo concreto rumo a uma megafusão no setor.
Por ora, o mercado observa um reencontro estratégico em meio à disparada do cobre — mas ainda distante de um compromisso definitivo.
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