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LVMH perde US$ 167 bilhões e expõe um novo desafio para o império do luxo

LVMH perde US$ 167 bilhões e expõe um novo desafio para o império do luxo

Grupo francês perdeu cerca de US$ 167 bilhões em valor de mercado em 2026 enquanto enfrenta a desaceleração de bolsas e artigos de couro e um consumidor chinês em transformação

O império que reúne algumas das marcas mais desejadas do planeta atravessa um momento decisivo. A LVMH (LVMH) perdeu cerca de US$ 167 bilhões em valor de mercado apenas em 2026, segundo análise da Reuters Breakingviews, em uma queda que coloca sob os holofotes as mudanças em curso no consumo global de luxo.

Há três anos, o conglomerado comandado por Bernard Arnault tornou-se a primeira empresa europeia a superar a marca de US$ 500 bilhões em valor de mercado. Hoje, vale menos da metade daquele patamar.

Por trás dos números está uma questão que vai além de oscilações pontuais da bolsa. A estrutura que ajudou a transformar a LVMH em referência mundial de luxo também deixou o grupo bastante exposto a áreas que agora enfrentam um ambiente menos favorável.

Louis Vuitton e artigos de couro enfrentam um novo cenário

A divisão de Fashion & Leather Goods, que reúne grifes como Louis Vuitton e Dior, ocupa uma posição central no negócio da LVMH. Durante anos, bolsas, acessórios e produtos de couro funcionaram como grandes motores da expansão do grupo.

O cenário atual, no entanto, é diferente. O segmento de leather goods atravessa uma desaceleração, justamente enquanto consumidores de mercados importantes repensam onde e como gastar.

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Nesse contexto, a força de Louis Vuitton continua sendo um ativo fundamental, mas a dependência do grupo em relação à moda e aos artigos de couro se torna um ponto de atenção.

China muda as regras do jogo para o luxo

Outro elemento essencial nessa equação é a China, mercado que durante anos ajudou a sustentar a expansão das grandes maisons europeias.

O consumidor chinês vive uma fase de transformação. Além de um ambiente de consumo mais difícil, marcas domésticas vêm conquistando maior espaço e prestígio. Para os grandes conglomerados ocidentais, isso significa disputar atenção em um mercado que já não responde necessariamente às mesmas fórmulas que impulsionaram o crescimento da última década.

A mudança pesa especialmente sobre empresas com grande exposição ao consumidor chinês, caso da LVMH.

Joias e beleza ganham espaço na estratégia do luxo

Enquanto a LVMH enfrenta pressão em categorias historicamente importantes para seu desempenho, outros grupos encontram proteção em segmentos diferentes. A Richemont (SWX: CFR), dona de Cartier e Van Cleef & Arpels, tem nas joias uma de suas principais fortalezas, enquanto a L’Oréal está apoiada no universo da beleza.

Esse movimento ajuda a explicar por que a joalheria vem ganhando atenção crescente em diferentes frentes do setor.

Casas de moda ampliam suas coleções de fine jewelry, empresas tradicionalmente ligadas aos relógios procuram aumentar sua presença na categoria e marcas de alta relojoaria exploram novas possibilidades no segmento. A própria Audemars Piguet avançou nesse território, enquanto a Watches of Switzerland demonstrou interesse em ampliar o peso das joias em seus negócios.

Não se trata apenas de uma nova tendência estética. A movimentação revela uma reorganização comercial do universo do luxo, em que categorias, mercados e hábitos de consumo passam por ajustes simultâneos.

Para a LVMH, recuperar parte do terreno perdido dependerá de como o conglomerado irá adaptar uma fórmula que ajudou Bernard Arnault a construir um dos maiores grupos de luxo do mundo. A queda de US$ 167 bilhões não encerra essa história, mas deixa claro que o próximo capítulo do setor pode ter protagonistas e categorias diferentes das que dominaram os últimos anos.

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