A gigante francesa LVMH (LVMH), uma das líderes globais do mercado de luxo, está avaliando a venda de diferentes marcas de seu portfólio em um movimento que reforça a reorganização estratégica conduzida pelo grupo de Bernard Arnault.
Entre os ativos analisados está a grife Marc Jacobs, cuja possível negociação vem sendo debatida há cerca de um ano. O conglomerado francês chegou a manter conversas com a Authentic Brands para um acordo estimado em 1 bilhão de dólares, embora as negociações não tenham avançado até o momento.
Com mais de 70 marcas sob seu controle, a LVMH parece concentrar esforços em negócios considerados mais rentáveis e estratégicos. Segundo informações publicadas pelo Financial Times, a companhia também avalia mudanças importantes em divisões como beleza, vinhos e destilados, em um momento de transformação no setor global de luxo.
Divisão de beleza entra no radar de mudanças
Entre os ativos avaliados está a participação de 50% da LVMH na Fenty Beauty, marca criada pela cantora Rihanna. A fatia estaria avaliada entre 1,5 bilhão e 2,5 bilhões de dólares. A movimentação chama atenção porque a marca continua sendo uma das mais reconhecidas do segmento de beleza premium.
Além da Fenty Beauty, outras marcas da divisão de cosméticos aparecem entre os ativos que podem mudar de mãos. A Make Up For Ever, fundada por Dany Sanz, e a Fresh, marca norte-americana criada em 1991, também estariam sendo analisadas pelo grupo francês. Bancos de investimento já estariam sondando possíveis compradores, indicando que a revisão do portfólio pode ganhar ritmo nos próximos meses.
O cenário acompanha uma tendência mais ampla do setor. Grandes grupos internacionais de luxo e beleza vêm promovendo aquisições, fusões e reorganizações estratégicas para enfrentar um mercado mais competitivo e consumidores cada vez mais seletivos.
Vinhos e destilados sofrem impacto do consumo global
Outra área afetada pela revisão interna da LVMH é a divisão de vinhos e destilados. O segmento enfrenta dificuldades provocadas pela mudança nos hábitos de consumo em mercados considerados fundamentais, como Estados Unidos e China.
Sob o comando de Jean-Jacques Guiony, ex-diretor financeiro da companhia, a unidade pode se desfazer de ativos como o rum Eminente e os vinhedos californianos da Joseph Phelps Wineries. A decisão reforça a tentativa do grupo de concentrar investimentos em marcas mais resilientes e com maior potencial de crescimento internacional.
A desaceleração do consumo de bebidas premium em alguns mercados estratégicos vem pressionando diferentes conglomerados do setor. Isso tem levado empresas do universo do luxo a rever estruturas, reduzir custos e direcionar capital para áreas mais lucrativas.
Estratégia reforça foco em marcas principais
Nos últimos meses, a LVMH já promoveu outras mudanças relevantes em sua estrutura. O grupo vendeu 49% da marca Stella McCartney e também repassou a marca ligada ao estilista Virgil Abloh. Além disso, a companhia demonstra intenção de se desfazer integralmente das operações da DFS, rede especializada em vendas para viajantes.
Internamente, a direção do conglomerado tem reforçado sua aposta em marcas consideradas essenciais para os resultados financeiros da empresa, especialmente Louis Vuitton, Dior e Tiffany & Co. Essas casas seguem no centro das estratégias de expansão da companhia no mercado internacional de luxo.
A reorganização também acompanha mudanças importantes na liderança do grupo. Stéphane Bianchi e Cécile Cabanis assumiram cargos estratégicos recentemente, enquanto os filhos de Bernard Arnault passam a ocupar funções cada vez mais relevantes dentro da estrutura da empresa.
LVMH mantém força financeira para novas aquisições
Apesar da série de revisões em andamento, a LVMH não demonstra estar em posição defensiva. O grupo encerrou o exercício de 2025 com aumento de 8% no fluxo de caixa disponível, alcançando 11,33 bilhões de euros.
O resultado financeiro mantém aberta a possibilidade de novas aquisições estratégicas. Bernard Arnault já sinalizou interesse no setor de relojoaria e frequentemente cita nomes como Patek Philippe e Richemont entre possíveis movimentos futuros do conglomerado.
Outro fator que reforça as especulações é a relação da LVMH com Giorgio Armani. O estilista italiano teria incluído o grupo francês entre os potenciais compradores preferenciais de seu império empresarial, ampliando as possibilidades de expansão da companhia no mercado global de luxo.
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