Home
Notícias
Ações
Ações da LVMH caem e dona da Louis Vuitton devolve ganhos do boom da pandemia

Ações da LVMH caem e dona da Louis Vuitton devolve ganhos do boom da pandemia

LVMH sofre com menor consumo, inflação, fraqueza da demanda chinesa e incertezas globais após período de forte expansão do setor

A LVMH (LVMH), grupo francês responsável por marcas como Louis Vuitton, Dior, Tiffany & Co. e Bvlgari, perdeu praticamente toda a valorização acumulada por suas ações durante o período de forte expansão do mercado de luxo na pandemia. A mudança de cenário ocorre em meio a uma combinação de inflação, redução do poder de compra dos consumidores e incertezas econômicas e geopolíticas.

Segundo o Financial Times, o valor de mercado da LVMH caiu mais da metade em relação ao pico registrado em 2023 e chegou a cerca de 213 bilhões de euros. A avaliação coloca o conglomerado próximo dos níveis observados em janeiro de 2020, antes da pandemia de Covid-19 provocar uma forte aceleração dos gastos com produtos de luxo.

O movimento representa uma reversão importante para uma empresa que chegou a ser a primeira companhia europeia avaliada em US$ 500 bilhões.

Consumidor de luxo muda comportamento

Um dos principais desafios enfrentados pela LVMH está relacionado aos chamados consumidores aspiracionais, grupo formado principalmente por clientes de classe média que compram artigos de luxo de forma mais ocasional.

De acordo com informações citadas pelo jornal, a inflação e a perda de poder de compra reduziram a capacidade de consumo desse público nos últimos anos. O cenário foi agravado por disputas comerciais envolvendo os Estados Unidos e por tensões geopolíticas, que contribuíram para aumentar a incerteza econômica.

Publicidade
Publicidade

Estimativas da consultoria Bain indicam que aproximadamente 60 milhões de consumidores, equivalentes a cerca de 15% da base de clientes do mercado de luxo, deixaram de comprar produtos do segmento nos últimos três anos. A elevação dos preços praticada pelas próprias marcas também teria contribuído para esse afastamento. Alguns produtos ficaram entre 50% e 70% mais caros em comparação com 2019.

Apesar da queda das ações, a LVMH continua apresentando resultados financeiros superiores aos registrados antes da pandemia. O grupo obteve lucro de 17,8 bilhões de euros no ano passado, valor mais de 50% superior ao de 2019.

China também pesa sobre o setor

Outro fator que ajuda a explicar a pressão sobre as ações da LVMH é o desempenho mais fraco do consumo na China. O país teve papel fundamental na expansão da indústria de luxo durante a última década, mas os consumidores chineses passaram a demonstrar maior cautela diante da queda dos preços dos imóveis e do desempenho abaixo das expectativas no mercado acionário.

O impacto, porém, não ocorre da mesma forma entre todas as empresas do setor. As marcas voltadas para consumidores de maior poder aquisitivo, como Hermès e Brunello Cucinelli, apresentaram desempenho mais resistente. Já grupos que enfrentavam dificuldades antes da desaceleração, como a Kering, proprietária da Gucci, e a Burberry sofreram perdas mais intensas.

Joias ganham espaço entre consumidores

Enquanto bolsas e outros itens tradicionais enfrentam maior resistência aos preços, as joias aparecem como um segmento mais forte dentro do mercado de luxo.

O grupo suíço Richemont, proprietário de Cartier e Van Cleef & Arpels, registrou valorização de 28% de suas ações em seis meses, levando seu valor de mercado para mais de 100 bilhões de euros.

Dentro da própria LVMH, marcas de joias como Tiffany & Co. e Bvlgari também demonstram demanda mais resistente. O movimento sugere uma mudança na preferência de parte dos consumidores, que passou a comparar o valor de bolsas de luxo com produtos considerados mais duráveis ou associados a joalheria.

Recuperação pode depender da confiança do consumidor

Apesar da pressão sobre as ações da LVMH, alguns sinais indicam que a desaceleração pode estar relacionada ao ciclo econômico, e não necessariamente a uma mudança permanente no interesse por artigos de luxo.

Dados recentes dos Estados Unidos e da Coreia do Sul mostram uma recuperação dos gastos com produtos de alto padrão acompanhando a valorização dos mercados acionários locais.

Para a dona da Louis Vuitton, uma recuperação mais consistente dependerá principalmente do retorno da confiança dos consumidores e de condições econômicas mais favoráveis. Até que isso aconteça, a empresa que simbolizou o auge do luxo durante a pandemia continuará enfrentando o desafio de provar aos investidores que ainda pode transformar sua força global em uma nova fase de crescimento.