A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, confirmou na quinta-feira (29) um ataque hacker que envolveu cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos digitais, aproximadamente R$ 34 bilhões. O episódio é apontado como o maior roubo de criptomoedas já registrado e repercutiu nas negociações internacionais nesta sexta-feira (30).
A corretora informou que conseguiu congelar parte dos recursos e que utilizará dinheiro próprio para cobrir as perdas. As operações de depósitos e saques foram temporariamente suspensas enquanto a equipe de segurança investigava a invasão.
O ataque ocorreu em um período de pressão sobre o mercado de criptomoedas, que já enfrentava os efeitos dos juros elevados nos Estados Unidos e da menor demanda por fundos negociados em bolsa (ETFs) ligados a ativos digitais.
Bitcoin cai e Ethereum acompanha perdas no mercado
A notícia do ataque à Binance foi acompanhada por quedas nas principais criptomoedas. Nesta manhã, o Bitcoin recuava 3,80%, cotado a US$ 77.253, às 10h30.
O Ethereum registrava queda de 4,31%, negociado a US$ 2.227,18, às 10h31. O BNB, criptomoeda ligada ao ecossistema da Binance, também apresentou oscilações hoje.
A movimentação ocorreu enquanto investidores acompanhavam as informações sobre o volume de ativos comprometidos e as medidas anunciadas pela corretora.
Notebook de engenheiro pode ter sido usado na invasão
A investigação preliminar da Binance aponta que o computador de um engenheiro pode ter sido uma das portas de entrada utilizadas pelos invasores.
Segundo Richard Teng, co-CEO da empresa, o equipamento teria sido comprometido, permitindo o acesso a um ambiente interno de serviços e a realização de saques não autorizados.
A Binance informou posteriormente que identificou outros pontos de invasão. Teng também esclareceu que a operação envolveu diferentes etapas e não se restringiu ao acesso de um único funcionário.
Até a divulgação das primeiras conclusões, a corretora afirmou não ter encontrado evidências de vazamento das chaves privadas utilizadas para proteger suas carteiras digitais.
A companhia pretende publicar um relatório detalhado após a conclusão da investigação.
Grupo ligado à Coreia do Norte é apontado como suspeito
Empresas especializadas em análise de blockchain identificaram semelhanças entre o ataque à Binance e operações anteriormente atribuídas a hackers ligados à Coreia do Norte.
A TRM Labs e a Chainalysis apontaram o grupo TraderTraitor como possível responsável pela invasão. O grupo é associado por especialistas ao Lazarus, conhecido por ataques contra empresas do setor de criptomoedas.
Entre os episódios anteriores está o roubo de aproximadamente US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit, ocorrido em 2025.
A autoria do ataque à Binance, no entanto, ainda não foi confirmada oficialmente. A empresa informou que trabalha com autoridades e parceiros de segurança para identificar os envolvidos.
Binance reserva US$ 6,3 bilhões para cobrir perdas
Após o ataque, a Binance anunciou que começou a recuperar os ativos afetados e que reservou recursos para compensar os prejuízos.
Segundo a empresa, mais de US$ 6,3 bilhões foram destinados à cobertura das perdas, dos quais US$ 5 bilhões já estavam alocados nos mesmos tokens atingidos pela invasão.
A corretora também informou que aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos haviam sido congelados com o apoio de parceiros.
Entre as empresas que participaram dos bloqueios estão a Tether, que anunciou o congelamento de quase US$ 1,57 bilhão, e a Circle, responsável pelo bloqueio de mais de US$ 800 milhões.
Os valores congelados continuam sujeitos a processos de verificação e recuperação.
A Binance informou que trabalha para normalizar os saques e concluir a reposição dos ativos. Já a Binance.US, plataforma independente voltada a clientes dos Estados Unidos, declarou que não foi afetada pelo incidente.






