As ações da Netflix (NFLX; NFLX34) chegaram a cair cerca de 6% nas negociações após o fechamento do mercado americano, depois da divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2026. Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a reação negativa, mesmo com receita e lucro acima das estimativas, reflete a preocupação dos investidores com as perspectivas de crescimento da companhia.
Como mostrou o EuQueroInvestir, a Netflix registrou lucro líquido de US$ 3,66 bilhões no 3T26, alta de 43,9% na comparação anual. A receita cresceu 11,8%, para US$ 12,87 bilhões, no balanço divulgado na terça-feira (20).
O que preocupa nas projeções da Netflix
Na avaliação de Castro Alves, o principal ponto de atenção está no guidance, termo usado para as projeções que a empresa apresenta sobre seu desempenho futuro. Embora os resultados do trimestre tenham sido positivos, as estimativas para os próximos períodos ficaram abaixo do que os investidores esperavam, segundo ele.
“Apesar de o trimestre ter apresentado bons resultados, o guidance para o quarto trimestre e para o ano de 2026 como um todo veio mais conservador do que o mercado esperava. Isso reforça uma preocupação que já existia entre os investidores: a Netflix vem apresentando um ritmo de crescimento menor, ao mesmo tempo em que enfrenta uma concorrência cada vez maior pela atenção do público”, avalia.
Para o quarto trimestre, a Netflix projeta receita de US$ 13,44 bilhões e margem operacional de 26%. No ano, estima faturamento de US$ 51,1 bilhões, avanço de 13%, e mantém a previsão de margem operacional de 31,5%.
A companhia também reduziu a expectativa de receita com publicidade em 2026 de US$ 3 bilhões para aproximadamente US$ 2,7 bilhões. A revisão decorre da implementação mais lenta que a esperada de algumas funcionalidades dos produtos publicitários.
Castro Alves chama atenção, ainda, para a origem da melhora do resultado. Em sua avaliação, o controle das despesas contribuiu para o avanço do lucro, mas isso não representa, por si só, uma aceleração das receitas.
“Olhando para os resultados do trimestre, não foi um período ruim — pelo contrário, foi positivo. No entanto, parte do crescimento do lucro veio de uma melhora no controle de despesas, e não necessariamente de uma aceleração do crescimento da receita”, afirma.
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A disputa pela atenção vai além do streaming
Outro desafio apontado pelo estrategista é a capacidade de manter o público engajado. A concorrência, em sua análise, envolve tanto serviços que oferecem filmes e séries quanto outras formas de consumir conteúdo digital.
“Além da disputa com outras grandes plataformas de streaming, a empresa também concorre com o YouTube e com o uso do celular, o que torna mais difícil manter os espectadores engajados”, diz Castro Alves.
O especialista também destaca a saída de profissionais importantes da área de conteúdo e a demissão de cerca de mil pessoas. Para ele, essas mudanças levantam dúvidas sobre a capacidade da Netflix de continuar crescendo e de manter o público conectado à plataforma.
A redução do quadro de funcionários também tem impacto nas projeções financeiras. Segundo o balanço, a margem operacional estimada para o quarto trimestre já incorpora um efeito negativo de aproximadamente 1,2 ponto percentual associado ao corte de pessoal.






