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Small caps não acompanham rali do Ibovespa

Small caps não acompanham rali do Ibovespa

O principal índice da B3 (B3SA3) foi impulsionado sobretudo por ações de grande peso nos setores de commodities, financeiro e utilities

Enquanto o Ibovespa acumula forte valorização no ano e já negocia em linha com suas médias históricas, um segmento importante da bolsa de valores segue para trás: as small caps. A informação está em um relatório do Bank of America (BofA). No acumulado histórico desde 2010, enqunto o Ibovespa tem se aproximado de uma valorização de 300%, o índice SMLL ainda está perto dos 200%. E com o rali, esse descolamento se tornou mais evidente ainda.

O principal índice da B3 ($B3SA3) foi impulsionado sobretudo por ações de grande peso nos setores de commodities, financeiro e utilities — que juntos representam cerca de 75% da carteira teórica. Esse movimento ajudou o mercado brasileiro a surfar o fluxo positivo para emergentes e a manter o bom desempenho em dólar nas últimas semanas.

No entanto, quando se olha além das gigantes do índice, o cenário é diferente. O índice de Small Caps, composto majoritariamente por empresas de consumo e industriais, negocia cerca de um desvio padrão abaixo de sua média histórica. Desde o início de 2025, essas companhias acumulam desempenho inferior ao Ibovespa, evidenciando uma recuperação concentrada em poucos nomes.

Histórico small caps vs Ibovespa.

A leitura do mercado é que o rali recente foi liderado por empresas mais líquidas e de maior capitalização, especialmente aquelas ligadas a commodities e bancos, que se beneficiam diretamente de fluxos estrangeiros. Com a entrada de US$ 7 bilhões apenas nesta semana em mercados emergentes excluindo China — e US$ 71 bilhões no acumulado do ano — investidores globais têm priorizado ativos de maior porte e liquidez.

Otimismo

Apesar do otimismo com o Brasil — 74% dos investidores latino-americanos projetam o Ibovespa acima dos 190 mil pontos em 2026 — o apetite segue seletivo. A preferência declarada é por empresas de qualidade e exposição a commodities, o que reforça a concentração da alta.

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Além disso, o ambiente doméstico ainda impõe desafios adicionais às companhias menores. A restrição ao crédito e a cautela dos investidores locais — que já retiraram R$ 2,9 bilhões de fundos de ações neste ano — pesam mais sobre empresas de menor capitalização, tradicionalmente mais sensíveis ao ciclo econômico.

O resultado é um mercado de duas velocidades: de um lado, o Ibovespa sustentado por seus pesos-pesados; de outro, as small caps negociando com desconto e sem acompanhar o mesmo ritmo de valorização. Para parte dos analistas, essa defasagem pode representar uma oportunidade tática. Para outros, é um sinal de que o rali ainda não se espalhou de forma ampla pela bolsa brasileira.