O dólar em 2026 deve continuar refletindo o embate entre vetores estruturais e fatores de curto prazo, segundo análise da AllianceBernstein. A gestora projeta um ambiente de maior volatilidade, sem tendência definida para a moeda americana ao longo do ano.
Em 2025, o comportamento do dólar contrariou expectativas. A maioria dos analistas iniciou o ano apostando que as tarifas comerciais sustentariam a moeda, mas o movimento inicial foi de queda, próxima de 10% nos primeiros meses.
No segundo semestre, porém, o cenário mudou. A moeda se estabilizou e recuperou parte das perdas, reduzindo as apostas em uma desvalorização mais prolongada.
Pressões estruturais no horizonte
Para a AllianceBernstein, parte da explicação está em fatores de longo prazo. A taxa de câmbio efetiva real do dólar permanece acima da média histórica, o que sugere possibilidade de ajuste gradual ao longo do tempo.
Além disso, a participação do dólar nas reservas internacionais, ainda perto de 60%, vem diminuindo de forma consistente. O ambiente geopolítico e as mudanças na política comercial dos Estados Unidos reforçam, segundo a gestora, o incentivo à diversificação por parte de bancos centrais.
Esses elementos ajudam a entender a fraqueza observada no início de 2025, quando fluxos externos indicaram aceleração na realocação de reservas.
Dólar em 2026: suporte de curto prazo limita perdas
Ao mesmo tempo, fatores cíclicos atuaram na direção contrária. As tarifas comerciais contribuíram para reduzir o déficit externo ao tornar importações menos competitivas no mercado americano.
A arrecadação alfandegária superou US$ 200 bilhões em 2025. Embora represente parcela limitada do PIB, ajudou a conter a deterioração fiscal no período.
Outro componente relevante foi o fluxo de capital para o mercado acionário dos Estados Unidos, especialmente para empresas ligadas à inteligência artificial. Esse movimento elevou a demanda por dólares e sustentou a moeda na segunda metade do ano.
Cenário de volatilidade
Diante desse conjunto de forças, a AllianceBernstein afirma esperar “mais volatilidade do que direção definida” em 2026. A gestora acrescenta que não há “grande convicção de que a moeda americana se moverá de forma duradoura em uma direção ou outra”.
O relatório aponta ainda possíveis fatores de mudança, como uma eventual perda de independência do banco central dos Estados Unidos ou, em sentido oposto, um avanço mais acelerado da produtividade associado à inteligência artificial.
Na ausência desses choques, a expectativa é de continuidade do equilíbrio observado no fim de 2025, com o dólar em 2026 oscilando entre pressões estruturais e estímulos de curto prazo.






