O setor de bens de capital deve atravessar um fim de ano desafiador, mas, para a Ágora, o cenário também abre espaço para oportunidades seletivas. Em meio a juros elevados, desaceleração econômica e câmbio menos favorável às exportações, o banco mantém preferência por empresas que combinam resiliência operacional, forte geração de caixa e preços descontados na Bolsa — caso de Marcopolo (POMO4) e Iochpe (MYPK3).
A prévia para o quarto trimestre do ano indica um trimestre mais fraco para as companhias do setor. A combinação de atividade econômica mais lenta e dólar mais fraco tende a reduzir receitas de exportação quando convertidas para reais, pressionando margens e resultados.
As estimativas revisadas apontam para quedas orgânicas anuais tanto em receita quanto em EBITDA entre as empresas acompanhadas. Ainda assim, o mercado já ajustou parte relevante das expectativas, o que pode tornar a temporada de resultados mais neutra ou apenas levemente negativa do ponto de vista de reação de preços.
Olhando para 2026, a Ágora enxerga um setor com dinâmica heterogênea. Segmentos como ônibus e componentes automotivos devem apresentar recuperação moderada, enquanto caminhões tendem a continuar enfrentando um ambiente mais fraco.
Nesse contexto, empresas que vêm investindo em expansão de capacidade, ganhos de eficiência e melhora gradual do mix de produtos podem apresentar evolução marginal de margens ao longo do ano, mesmo sem uma retomada mais intensa da demanda.
Resiliência e desconto
É nesse cenário que Marcopolo e Iochpe se destacam na avaliação da casa de análise. As duas empresas reúnem negócios considerados mais resilientes, com geração robusta de fluxo de caixa livre (FCF) e negociações a múltiplos atrativos. Para investidores que buscam exposição ao setor com maior margem de segurança, esses nomes aparecem como opções interessantes.
Já companhias negociadas a múltiplos mais elevados, como a WEG, continuam sustentadas por fundamentos sólidos e posicionamento competitivo diferenciado. No entanto, segundo a análise, parte relevante das perspectivas positivas já estaria refletida nos preços atuais, o que limita o potencial de reprecificação no curto prazo.
No conjunto, as revisões de preços-alvo refletem ajustes de premissas, estrutura de capital e desempenho recente, mas sem mudanças nas recomendações. A mensagem central é clara: 2026 deve ser um ano de transição para bens de capital, com recuperação gradual em alguns nichos e desafios persistentes em outros.






