O Ibovespa opera em forte queda de 1,7% nesta segunda-feira (14) com a cautela predominando nos mercados globais.
Dois fatores explicam o humor: o adiamento da reunião entre Irã e países do Golfo e o receio de que um possível freio no desenvolvimento da inteligência artificial leve a uma reprecificação das empresas ligadas ao setor, depois de alertas de executivos como Sam Altman, Elon Musk e Dario Amodei sobre riscos de segurança da tecnologia.
Os futuros em Nova York recuam, com o Nasdaq liderando as perdas. As bolsas europeias operam sem direção definida e os mercados asiáticos fecharam majoritariamente em queda. O dólar avança frente às principais moedas, enquanto os rendimentos dos Treasuries de longo prazo recuam levemente.
Nas commodities, os movimentos foram opostos. O petróleo sobe mais de 2% diante das tensões geopolíticas, e o minério de ferro fechou em queda de 1,6% na bolsa de Dalian, a US$ 105,61 por tonelada.
Semana decisiva para os juros
Por aqui, o ambiente externo mais defensivo e a alta do petróleo tendem a influenciar o Ibovespa, o câmbio e a curva de juros ao longo do dia. O ETF EWZ, que reúne ações brasileiras negociadas em Nova York, operava em queda no pré-mercado.
O cenário político e os desdobramentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal seguem acompanhados de perto. A semana concentra as decisões do Federal Reserve e do Copom, o que dá peso adicional ao Boletim Focus divulgado nesta manhã.
Focus
A projeção do mercado para a inflação de 2026 recuou de 5,0% para 4,9%, na terceira semana seguida de queda. Mesmo assim, o número segue acima do teto da meta, de 4,5%, considerando o centro de 3% e a tolerância de 1,5 ponto percentual.
Para os anos seguintes, o movimento foi de alta ou de estabilidade. A estimativa para 2027 subiu de 4,29% para 4,30%, enquanto 2028 permaneceu em 3,80% e 2029 seguiu em 3,50%. A inflação em 12 meses suavizada, indicador acompanhado pelo Banco Central no regime de meta contínua, avançou para 4,65%.
Análise técnica
O Ibovespa mantém a tendência de alta, mas segue consolidando próximo à resistência dos 187.700 pontos após a recuperação recente. O IFR permanece em região de sobrecompra e começa a perder inclinação, o que sinaliza menor impulso no curtíssimo prazo. A superação consistente dessa faixa pode favorecer continuidade em direção aos 199.380 pontos.

A recomendação do dia fica com o BDR da JBS (JBSS32), com compra entre 64,59 e 64,91, primeiro objetivo em 68,56, ganho estimado entre 5,62% e 6,15%, segundo objetivo em 73,09, entre 12,60% e 13,16%, e stop em 63,17, perda estimada entre 2,20% e 2,69%.
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