A Natura (NATU3) realiza nesta segunda-feira o resgate antecipado integral das debêntures atreladas ao CDI de sua 12ª emissão privada. A operação envolve o cancelamento dos títulos e a quitação dos certificados de recebíveis imobiliários vinculados à estrutura.
O efeito é de simplificação, não de solução. Parte da arquitetura financeira da companhia fica mais enxuta, mas o impacto sobre o endividamento consolidado depende do montante efetivamente liquidado, informação que não foi detalhada.
“Embora a medida simplifique parte da estrutura financeira, o impacto sobre o endividamento consolidado dependerá do montante liquidado e não elimina os desafios de recuperação operacional no curto prazo”, aponta Ricardo França, analista do Bradesco BBI.
O papel mais alugado da bolsa
O que dá outra dimensão ao movimento é o posicionamento do mercado contra a ação. A Natura lidera o ranking de taxa de aluguel, em 44,24%, patamar que indica demanda forte de quem toma os papéis emprestados para vender a descoberto.
A companhia apresenta ainda 9,02 dias de cobertura, indicador que mede quantos pregões seriam necessários para recomprar todas as posições vendidas ao volume médio negociado. Os dois números juntos revelam uma aposta relevante na queda do papel.
Por que isso importa para a volatilidade
“Novas iniciativas de otimização financeira ou sinais de melhora operacional podem elevar a sensibilidade da Natura a movimentos de cobertura de short”, observa França. Quando isso acontece, quem apostava na baixa é forçado a recomprar as ações, o que empurra o preço para cima e amplifica a alta.
O contrário também vale. Na ausência de avanços concretos na operação, a tendência é de que a volatilidade do ativo se mantenha, com o posicionamento vendido continuando a pressionar o papel.






