A XP Investimentos promoveu ajustes pontuais em sua Carteira Fundamentalista de Fundos Imobiliários para agosto de 2026, mantendo a estratégia de privilegiar ativos de perfil defensivo e com potencial de superar o desempenho do IFIX no longo prazo.
A principal alteração do mês foi o aumento da exposição ao XPLG11, acompanhado pela redução das participações em LVBI11 e PVBI11.
Segundo a equipe de Research da instituição, as mudanças refletem a busca por fundos com maior potencial de geração de retorno e menor volatilidade. A estratégia também reduz a exposição a ativos considerados com menor carrego e menos gatilhos de valorização no curto prazo.
Com isso, a alocação em LVBI11 e PVBI11 foi reduzida em 0,75 ponto percentual cada, enquanto a participação de XPLG11 foi ampliada em 1,5 ponto percentual.
A carteira segue composta por 16 fundos imobiliários e mantém predominância de segmentos considerados mais resilientes diante do atual cenário macroeconômico.
Os fundos de recebíveis continuam representando a maior fatia da estratégia, com 40% de participação, seguidos pelos ativos logísticos (20,25%), fundos de fundos e multiestratégia (18%), shoppings (15%), lajes corporativas (5,25%) e fundos híbridos (1,5%).
Carteira supera o IFIX em 12 meses apesar da queda em julho
Em julho, a carteira registrou desvalorização de 0,42%, desempenho ligeiramente inferior ao recuo de 0,32% observado pelo IFIX no período.
Apesar disso, entregou um dividend yield mensal de 1,01%, equivalente a 12,2% em termos anualizados.
No acumulado de 12 meses, a carteira apresenta valorização de 12,2%, resultado correspondente a 110% do desempenho do IFIX e equivalente a 84% do CDI no período.
Segundo a XP, o resultado reforça a estratégia de buscar ganhos consistentes por meio de uma seleção ativa de fundos imobiliários com perfil mais defensivo.
Recebíveis e logística seguem como pilares da estratégia
A XP mantém uma visão positiva para os fundos de recebíveis, mesmo diante da expectativa de redução gradual dos rendimentos distribuídos ao longo de 2026.
Na avaliação da instituição, os fundos indexados ao CDI continuam beneficiados pela manutenção da taxa Selic em patamar elevado, enquanto aqueles atrelados ao IPCA podem ganhar com uma eventual queda das taxas reais de juros.
Além disso, o segmento segue negociando, em média, abaixo do valor patrimonial e oferecendo rentabilidades consideradas competitivas.
O segmento logístico também permanece entre os principais destaques da carteira.
A equipe de análise avalia que o mercado de galpões continua aquecido, sustentado por taxas de vacância próximas das mínimas históricas e pela expansão do comércio eletrônico.
Esse ambiente tem favorecido reajustes nos valores de locação e contribuído para resultados operacionais sólidos dos fundos do setor, justificando o aumento da exposição ao XPLG11.
XP vê espaço para valorização em lajes, shoppings e FOFs
Para os fundos de lajes corporativas, a XP observa continuidade da recuperação do mercado de escritórios em São Paulo, impulsionada pela retomada gradual do trabalho presencial.
Segundo a instituição, a melhora dos níveis de ocupação e os descontos ainda expressivos em relação ao valor patrimonial reforçam uma perspectiva positiva para fundos com imóveis localizados nas regiões mais valorizadas da capital paulista.
Nos fundos de shopping centers, a avaliação também permanece favorável.
A XP destaca que os ativos sob sua cobertura encerraram 2025 com taxa média de ocupação de 96,3%, além de níveis reduzidos de inadimplência e descontos concedidos aos lojistas.
Embora a expectativa seja de resultados mais moderados em 2026, o segmento continua negociando com desconto em relação ao valor patrimonial e prêmio de risco considerado atrativo, especialmente em empreendimentos consolidados voltados ao público A/B.
Já para os fundos de fundos (FOFs) e veículos multiestratégia, a instituição acredita que esses ativos podem se beneficiar de um eventual ciclo positivo para o mercado de fundos imobiliários.
Apesar da maior sensibilidade às oscilações do mercado, a XP considera que o atual nível de preços ainda oferece dividend yields competitivos e um elevado duplo desconto, mantendo uma alocação relevante, porém moderada, diante da maior volatilidade característica desse segmento.
Com os ajustes realizados em agosto, a XP reforça sua estratégia de privilegiar ativos de maior qualidade.
A instituição busca equilibrar geração de renda recorrente, potencial de valorização patrimonial e menor exposição ao risco em um ambiente que ainda combina juros elevados, incertezas econômicas e expectativa de recuperação gradual do mercado imobiliário.
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