O PCIP11 se tornaria o 10º maior fundo do IFIX e o quarto maior entre os de crédito caso os cotistas aprovem a consolidação proposta pelo Pátria, segundo relatório do BB Investimentos. O fundo saltaria para R$ 4,5 bilhões em patrimônio líquido e de cerca de 90 para quase 300 CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) em carteira, distribuídos em 18 segmentos.
A gestora convocou em 21 de agosto os cotistas de RBRR11, VCJR11 e RPRI11 para votar a fusão das carteiras desses três fundos de crédito indexados ao IPCA no PCIP11. As assembleias ficam abertas até 18 de setembro, e a aprovação depende de maioria dos votantes, desde que representem ao menos 25% das cotas emitidas por cada fundo, excluídas as participações conflitadas.
“O ganho de escala e de diversificação do PCIP11 é cristalino”, escreveu André Oliveira, analista de fundos imobiliários do BB Investimentos.
Com a operação, o carrego da carteira subiria para IPCA+10,2% ao ano, ante 9,1% do fundo hoje. Mais espaço para dividendos, portanto, com uma dose adicional de risco. A pauta das assembleias vai além da fusão: no PCIP11, entram em votação a flexibilização de elegibilidade para ativos conflitados, que viabiliza a operação, a recompra de cotas e o aumento do capital autorizado de R$ 4 bilhões para R$ 30 bilhões.
O que muda para cada fundo
O RBRR11 é o nome mais conservador do grupo, com carrego de IPCA mais 7,9%, garantias sólidas e apenas 0,5% do patrimônio na watchlist, a lista de ativos sob observação. Ao entrar na operação, o cotista passaria a conviver com um nível de risco e de retorno maior, e ganharia a exclusão da taxa de performance, hoje cobrada em 20% do que exceder 100% do CDI. A taxa de administração seguiria em 1,00%.
O RPRI11 chega em situação diferente. Com 34 CRIs em carteira e cerca de 18% do patrimônio na watchlist, o fundo deixou de pagar dividendos em agosto por causa da remarcação de alguns papéis. A pulverização do novo portfólio limitaria a concentração a 3% por ativo, e a taxa de administração cairia de 1,60% para 1,00% sobre o valor de mercado.
O VCJR11, originalmente da Vectis, seguiria o mesmo corte de taxa, mantendo um perfil já parecido com o do PCIP11: LTV (relação entre dívida e garantia) abaixo de 60% e 6,5% da carteira em operações que exigem acompanhamento mais próximo.
No RPRI11 e no VCJR11, os cotistas também decidem sobre a troca de administradora, custodiante e escriturador, com custo extraordinário de R$ 100 mil por fundo.
“Quanto maior a escala da gestora e do fundo, maior a capacidade de estruturar grandes operações, com garantias mais sólidas e devedores de primeira linha”, avaliou Oliveira.
Um detalhe técnico pesa no cálculo. Os papéis dos fundos incorporados entrariam no PCIP11 a valor de mercado, e não de emissão, o que muda a conta de quem quiser vender ativos fora da estratégia mais adiante. Com a curva de juros esticada e os títulos precificados para baixo, o efeito pode ficar maior se houver inflexão nos juros à frente.
“O PCIP11 poderá acelerar as reciclagens dos ativos que não se enquadram na estratégia adotada sem grandes penalidades ao resultado”, apontou o analista.
Como fica a relação de troca
Na prática, o PCIP11 compra os ativos dos três fundos e paga com cotas de uma nova emissão. O valor patrimonial de cada fundo serve de referência para a conversão. Os fundos incorporados entram em liquidação, convocam os cotistas para informar o preço médio à administradora e, por fim, entregam as cotas do PCIP11 aos investidores.
Cruzando o valor patrimonial por cota mais recente, o preço de mercado de 1º de setembro e os dividendos pagos nos últimos doze meses, o BB Investimentos chegou a números distintos para cada fundo.
O cotista do VCJR11 teria ganho patrimonial de 9,80%, e o do RPRI11, de 9,50%, mas o primeiro veria a distribuição cair 5,14%. No RBRR11 acontece o inverso: o ganho patrimonial fica em 0,85%, enquanto os dividendos subiriam 9,07%.
“Chegamos a uma assimetria favorável para os cotistas do VCJR11 e do RPRI11 em termos de posição a mercado, e um incremento de dividendos para os investidores do RBRR11”, calculou Oliveira.
O voto acontece em plataformas diferentes conforme o fundo. Cotistas do PCIP11 votam pela Cuore, os do RBRR11 pela plataforma do BTG, e os de VCJR11 e RPRI11 pela Intrag.
Aprovada a operação, a vertical de crédito da Pátria ficaria com o PCIP11 em R$ 4,5 bilhões, ao lado de HGCR11, com R$ 1,5 bilhão, RBRY11, com R$ 1,3 bilhão, e RBRX11, que chegaria a R$ 2,8 bilhões caso também se consolide com o PSEC11.






