O BB Investimentos retirou o TRXF11 da Carteira Renda de fundos imobiliários e colocou o MXRF11 no lugar. A troca vale desde 2 de setembro de 2026, e as demais recomendações seguem inalteradas.
A decisão veio depois da publicação do relatório mensal, quando informações ligadas à gestora do fundo passaram a repercutir no mercado. Os analistas separam esse ruído dos ativos que compõem o portfólio.
“Embora os acontecimentos divulgados não estejam diretamente relacionados ao TRXF11 e não representem, até o momento, alteração nos fundamentos de seu portfólio imobiliário ou nos rendimentos anunciados pelo fundo, entendemos que o novo contexto recomenda uma postura mais prudente”, escrevem André Oliveira e Victor Penna, analistas do BB Investimentos.
A saída é apresentada como temporária. O fundo continua na cobertura da casa e pode voltar à seleção conforme os desdobramentos ficarem mais claros.
“A retirada não representa uma avaliação definitiva sobre o TRXF11, sobre a qualidade de seus imóveis ou sobre sua gestora”, afirmam Oliveira e Penna.
Oferta bilionária pressionou a cota do TRXF11
Agosto já havia sido conturbado para o fundo. O TRXF11 tem estratégia híbrida, o que significa comprar, desenvolver e vender imóveis alugados a grandes empresas em segmentos variados, de galpões a shoppings, lajes e hospitais. Com mais de R$ 6,000 bilhões, anunciou uma oferta de até R$ 10,000 bilhões para novas aquisições, movimento que o levaria a superar R$ 15,000 bilhões de patrimônio e a se tornar o maior fundo do IFIX.
A leitura do mercado foi outra. Investidores avaliaram que a operação poderia pressionar o resultado recorrente, provocar pressão vendedora no mercado secundário e diluir demais os cotistas minoritários. A cota chegou a recuar mais de 22% antes de se recuperar, à medida que dois negócios foram desfeitos: um com a Cyrela, envolvendo quatro galpões e uma laje alugada ao Nubank, e outro com dois fundos de laje, referente a ativos na Faria Lima, em São Paulo.
Carteira Renda perdeu pouco para o IFIX
O IFIX, índice que mede o desempenho dos principais fundos imobiliários negociados em bolsa, caiu 1,46% em agosto e fechou aos 3.762 pontos, depois de caminhar para o pior mês desde novembro de 2022 e recuperar parte da perda na última semana. No ano, o índice acumula queda de 0,33%, e em 12 meses avança 9%.
A Carteira Renda recuou 1,79% no período, apenas 0,33 ponto percentual abaixo do índice, resultado que os analistas atribuem à diversificação e à presença de fundos maduros. No acumulado de 2026 e em 12 meses, a seleção sobe 1,38% e 8,20%, ambos acima do IFIX. O dividend yield anualizado de agosto, que mede o retorno em proventos, ficou em 12,52%, contra 12,88% do índice.
O GARE11 liderou os ganhos pelo segundo mês seguido. A avaliação da casa é de que o fundo estava mais descontado que os pares e reúne contratos longos e atípicos, caixa líquido e potencial de reciclagem de imóveis, além de ter sido beneficiado pela compra de um galpão alugado ao Carrefour a 30 quilômetros de São Paulo.
O HGCR11 estreou na seleção e subiu mais de 2%, com exposição ao CDI e dividendos mais estáveis, enquanto o VGIP11, fundo que substituiu, recuou mais de 3%.
Carteira Ganho superou o índice em agosto
Formada por fundos de tijolo negociados com desconto maior sobre o valor patrimonial, a Carteira Ganho subiu 0,14% no mês, 1,60 ponto percentual acima do IFIX. Em 12 meses, acumula alta de 10,89%, contra 8,23% do índice.
O VILG11 avançou quase 4% e ficou com o melhor desempenho. A explicação da casa não passa por um fato novo, mas por um processo em curso: a venda de ativos ao HGLG11 gerou caixa para novas compras em um mercado pouco líquido e produziu lucro a distribuir. Somado ao resultado recorrente, o dividendo chegou a R$ 0,82 por cota.
O HGLG11 também apareceu entre os destaques, mesmo sob a pressão vendedora do VILG11. O fundo está em vias de incorporar o LVBI11, outro gigante gerido pela Pátria, e elevou o guidance para o segundo semestre depois de vender um galpão em Itapevi, em São Paulo.
Na ponta negativa ficou o PSEC11, fundo multiestratégia da Pátria que deve ser incorporado pelo RBRX11. Segundo os analistas, a gestora vem ajustando o portfólio para aproximá-lo da estratégia do RBRX11 antes da unificação, movimento que já permitiu elevar o dividendo de R$ 0,55 para R$ 0,60 por cota.
Recomendações para setembro







