A carteira fundamentalista de fundos imobiliários da XP registrou queda de 0,64% em maio, mas voltou a superar o desempenho do IFIX, principal índice de referência do setor, que recuou 1,33% no mesmo período. O portfólio também entregou dividend yield mensal de 0,94%, equivalente a 11,3% em termos anualizados.
Com o resultado, a carteira acumula valorização de 15,1% nos últimos 12 meses, desempenho correspondente a 125% do IFIX e a 104% do CDI, segundo levantamento da equipe de Research da instituição.
Para junho, os analistas promoveram ajustes pontuais na composição da carteira, reduzindo em 0,5 ponto percentual as participações dos fundos LVBI11 e PVBI11. Em contrapartida, ampliaram em igual proporção as posições em XPLG11 e HGBS11.
De acordo com a XP, as mudanças têm como objetivo diminuir a exposição a fundos de tijolo com menor potencial de geração de valor no curto prazo e aumentar a participação em ativos considerados de maior qualidade, com menor volatilidade e mais gatilhos para valorização.
A carteira mantém perfil predominantemente defensivo e segue composta por 16 fundos imobiliários. A maior fatia está concentrada em fundos de recebíveis, que representam 41% do portfólio. Na sequência aparecem os fundos de fundos (FOFs) e multiestratégia, com 18%, os ativos logísticos, com 19%, os fundos de shoppings, com 14%, as lajes corporativas, com 6,5%, e os fundos híbridos, com 1,5%.
Recebíveis seguem como principal aposta
A XP continua otimista em relação aos fundos de recebíveis, mesmo diante da expectativa de uma distribuição de rendimentos mais moderada em 2026. Segundo a instituição, os fundos atrelados ao CDI permanecem atrativos em um cenário de juros elevados, enquanto aqueles indexados ao IPCA oferecem proteção contra a inflação e potencial de valorização em caso de queda das taxas reais de juros.
Além disso, o segmento continua negociando com desconto em relação ao valor patrimonial e apresenta rentabilidades consideradas competitivas. Nesse contexto, a preferência permanece voltada para fundos com risco de crédito baixo a moderado.
Logística deve continuar beneficiada por baixa vacância
Entre os segmentos de tijolo, os fundos logísticos seguem entre os favoritos da casa. A avaliação é de que o mercado de galpões permanece aquecido, sustentado principalmente pela expansão do comércio eletrônico.
Com taxas de vacância próximas das mínimas históricas, os empreendimentos do setor vêm conseguindo aplicar reajustes consistentes nos contratos de locação, o que contribui para a manutenção de resultados operacionais robustos.
Recuperação dos escritórios sustenta visão positiva
No segmento de lajes corporativas, a XP mantém perspectiva favorável para os próximos anos, apoiada pela retomada gradual do trabalho presencial e pela recuperação dos níveis de ocupação em São Paulo.
A preferência continua concentrada em fundos com ativos localizados em regiões consideradas premium da capital paulista, que ainda negociam com descontos relevantes em relação ao valor patrimonial.
Shoppings e multiestratégia também permanecem no radar
Os fundos de shopping centers seguem beneficiados por indicadores operacionais sólidos. A ocupação média dos ativos acompanhados pela XP alcançou 96,3%, enquanto os níveis de inadimplência e descontos concedidos aos lojistas permanecem controlados.
Já os fundos multiestratégia e os FOFs são vistos como potenciais beneficiários de uma recuperação mais ampla do mercado de fundos imobiliários. Apesar da maior volatilidade característica desses veículos, os analistas destacam que os preços atuais ainda oferecem dividend yields atrativos e oportunidades decorrentes do chamado “duplo desconto”.
Nos fundos híbridos, a avaliação é de que a flexibilidade de mandato continua sendo um diferencial importante para a geração de renda e diversificação das carteiras.






