O HGRE11 foi um dos principais responsáveis pelo desempenho negativo da carteira de FIIs da EQI Research em julho. O fundo recuou 6,42% no mês e encerrou o período cotado a R$ 119,79 por cota.
Com a desvalorização, o fundo passou a negociar com desconto em relação ao seu valor patrimonial, de R$ 146,56 por cota, equivalente a aproximadamente 0,82 vez o patrimônio líquido. O dividend yield recorrente está em torno de 8,5% ao ano.
Segundo a EQI Research, parte da queda acompanha a abertura dos juros reais, movimento que afetou principalmente os fundos imobiliários de lajes corporativas. Além disso, o desempenho do HGRE11 também foi influenciado pela reação negativa do mercado ao anúncio de uma nova emissão de cotas.
A oferta passou a ser vista com cautela por investidores porque as novas cotas serão emitidas próximas ao valor patrimonial do fundo, enquanto os papéis negociados no mercado secundário estão descontados.
Na avaliação da EQI Research, o principal ponto de preocupação não foi apenas a emissão, mas a falta de informações mais detalhadas sobre a destinação dos recursos captados. O mercado passou a questionar quais ativos poderiam ser adquiridos, os valores envolvidos e os retornos esperados das futuras alocações.
Venda de ativos reforça estratégia de reciclagem do portfólio do HGRE11
Apesar da pressão sobre as cotas, a EQI Research mantém uma visão positiva sobre os fundamentos do fundo e destaca o processo de reciclagem do portfólio conduzido pela gestão.
Em julho, o HGRE11 concluiu a venda dos conjuntos 111 e 112 do edifício Berrini One por R$ 23,8 mil por metro quadrado. O valor ficou 19,2% acima do laudo de avaliação de 2025 e 31,9% acima do valor investido, gerando lucro em caixa equivalente a aproximadamente R$ 0,45 por cota.
A operação é vista como um exemplo da estratégia de reposicionamento da carteira, com venda de ativos e busca por oportunidades que possam gerar valor aos cotistas.
Entre os pontos positivos do fundo estão a baixa alavancagem, atualmente em 2,2% do patrimônio, a concentração de 86% do valor patrimonial em imóveis de escritórios padrão A e AAA na Grande São Paulo e a manutenção da vacância física em níveis controlados.
Atualmente, a vacância física está em 5,8%, podendo chegar a 6,6% após a saída da empresa ARMAC do edifício Jatobá.
Para a EQI Research, o principal ponto de acompanhamento nos próximos meses será a destinação dos recursos da emissão. A capacidade da gestão de realizar novas aquisições com disciplina e retorno adequado será determinante para a evolução do fundo e para a geração de valor aos investidores.
Carteira de FIIs da EQI Research recua em julho
No desempenho consolidado, a carteira de FIIs da EQI Research registrou queda de 1,32% em julho, enquanto o IFIX, índice de referência do setor, recuou 0,32% no mesmo período.
Além do HGRE11, outro destaque negativo do mês foi o VCJR11, fundo imobiliário de papel com carteira totalmente indexada ao IPCA.
Apesar do resultado mensal, a EQI Research mantém uma avaliação positiva sobre os fundamentos da carteira. Nos FIIs de papel, a análise aponta que o carrego permanece atrativo mesmo com a Selic em trajetória de queda.
Já nos FIIs de tijolo, a casa destaca que a vacância segue sob controle e que as distribuições permanecem sustentadas. Os descontos em relação ao valor patrimonial refletem, principalmente, o cenário de juros futuros ainda elevados.
Para agosto, a EQI Research informou que não realizará alterações na composição da carteira de FIIs.
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