A C&A (CEAB3) registrou lucro líquido de R$ 177,9 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 11,2% frente aos R$ 200,3 milhões apurados no mesmo período do ano anterior.
A comparação foi afetada por eventos não recorrentes nos dois trimestres. O resultado do 2T26 foi beneficiado pela reversão de uma provisão de aproximadamente R$ 80,7 milhões. Já o lucro do 2T25 incluiu R$ 154,3 milhões provenientes da venda da carteira remanescente do Bradescard.
Sem esses efeitos e outros ajustes, o lucro líquido da C&A alcançou R$ 130,1 milhões, crescimento anual de 4,3% e recorde para um segundo trimestre. A margem líquida ajustada passou de 6,1% para 6,2%.
A receita líquida consolidada somou R$ 2,08 bilhões, alta de 1,2% na comparação anual. O resultado combinou o crescimento das vendas de vestuário com a redução das receitas de Eletrônicos e Beleza e de serviços financeiros.
Frente ao primeiro trimestre, os cálculos feitos a partir dos números acumulados do semestre indicam crescimento de 28,6% da receita. O lucro reportado saiu de aproximadamente R$ 1,7 milhão para R$ 177,9 milhões.
Receita de vestuário cresce 5,6%
A receita líquida de vestuário chegou a R$ 1,89 bilhão, avanço anual de 5,6%. Na comparação acumulada de dois anos, o crescimento foi de 23,9%.
As vendas de vestuário nas mesmas lojas cresceram 4,1%, após uma expansão de 17% no 2T25. A receita por metro quadrado alcançou R$ 3 mil, alta de 3,1% em um ano.
Segundo a C&A, o desempenho foi favorecido pela coleção de inverno, pelo uso da estratégia de testes de produtos e pela evolução dos segmentos feminino, esportivo e masculino.
Considerando todas as categorias, a receita líquida de mercadorias atingiu R$ 2 bilhões, aumento de 1,8%. A expansão do vestuário foi parcialmente compensada pela queda de 37,1% em Eletrônicos e Beleza, cuja receita recuou para R$ 107,9 milhões.
Essa retração foi atribuída ao encerramento da operação de telefonia, concluído no terceiro trimestre de 2025, à mudança no tratamento tributário dos produtos de beleza em São Paulo e a um período com menor intensidade de lançamentos.
A C&A terminou junho com 341 lojas, oito a mais do que um ano antes. A área média de vendas cresceu 2,4%, para 633,4 mil metros quadrados.
Margem bruta de vestuário bate recorde
O lucro bruto consolidado da C&A somou R$ 1,21 bilhão, alta de 3,7%. A margem bruta avançou 1,4 ponto percentual, para 58,1%.
No vestuário, o lucro bruto cresceu 6,6%, para R$ 1,12 bilhão. A margem atingiu 59,1%, expansão anual de 0,6 ponto percentual e o maior nível já registrado pela companhia em um segundo trimestre.
Este foi o 20º trimestre consecutivo de crescimento anual da margem bruta de vestuário. O desempenho foi sustentado pela disciplina comercial, pelos sistemas de precificação, pelo planejamento das coleções e pela valorização do real frente ao dólar.
A margem bruta de mercadorias também ficou em 58,1%, com avanço mais acentuado de 1,7 ponto percentual. Nesse caso, o resultado foi favorecido pela retirada da telefonia do portfólio e pela maior participação de produtos de beleza.
As despesas operacionais, desconsiderando depreciação e outros efeitos, aumentaram 2,3%, para R$ 735,3 milhões. Como proporção da receita, passaram de 34,9% para 35,3%.
As despesas com vendas cresceram 5,9%, pressionadas pela abertura de lojas e pelos investimentos em marketing. Em contrapartida, as despesas gerais e administrativas recuaram 7,5%.
Ebitda ajustado recua 0,6%
O Ebitda ajustado pós-IFRS 16 totalizou R$ 435,9 milhões, ligeira queda de 0,6% em relação ao 2T25. A margem diminuiu 0,4 ponto percentual, para 20,9%.
Na visão pré-IFRS 16, que retira os efeitos contábeis dos contratos de arrendamento, o Ebitda ajustado alcançou R$ 307 milhões, retração de 2,8%. A margem passou de 15,3% para 14,7%.
Já o Ebitda reportado pós-IFRS 16 caiu 8,6%, para R$ 501,5 milhões.
De acordo com a companhia, a expansão da margem bruta não se traduziu em crescimento do Ebitda devido à saída da telefonia e ao fim da parceria com o Bradescard. Esses fatores reduziram a receita usada para diluir as despesas da operação.
Frente ao primeiro trimestre, o Ebitda ajustado pós-IFRS 16 cresceu aproximadamente 78%, considerando a diferença entre o resultado semestral e o valor divulgado para o 2T26.
Site e aplicativo ampliam participação nas vendas
A receita líquida do site e do aplicativo cresceu 33,3%, para R$ 154,3 milhões. O canal digital passou a representar 7,7% das vendas de mercadorias, diante de 5,9% um ano antes.
A C&A atribuiu o crescimento à integração dos estoques das lojas com o comércio eletrônico, à evolução do site e a ferramentas que ajudam os clientes a localizar produtos e consultar a disponibilidade diretamente no aplicativo.
A companhia também informou crescimento anual de 36% na conversão do canal digital e de 41% no consumo de conteúdo de moda.
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C&A Pay registra resultado positivo de R$ 15,4 milhões
A receita do C&A Pay atingiu R$ 93,4 milhões, alta de 9,4%. O crescimento foi impulsionado principalmente pelas compras parceladas com juros.
A solução financeira respondeu por 28,2% das vendas do varejo, aumento de 0,3 ponto percentual. O tíquete médio do C&A Pay cresceu 1,6%, para R$ 281,60.
A carteira ativa com até 360 dias avançou 10,2%, para R$ 978,8 milhões. A carteira de até 720 dias cresceu 6%, para R$ 1,14 bilhão.
As perdas de crédito líquidas de recuperações diminuíram 0,9%, para R$ 39,8 milhões. A relação entre as perdas e a carteira média caiu de 4,8% para 4,4%, enquanto o índice de créditos atrasados entre 90 e 360 dias recuou 3,7 pontos percentuais, para 13,4%.
Com o aumento das receitas e a redução de 25,7% das despesas com vendas, o C&A Pay apresentou resultado positivo de R$ 15,4 milhões, diante de R$ 300 mil no 2T25.
Apesar dessa evolução, a receita consolidada de serviços financeiros caiu 8,8%, para R$ 78,1 milhões. A queda reflete o encerramento da parceria com o Bradescard, que ainda havia contribuído com R$ 15,1 milhões no segundo trimestre de 2025.
Dívida líquida cai 40,6%
A dívida bruta da C&A encerrou junho em R$ 952,2 milhões, redução anual de 26,2%. A posição de caixa e aplicações financeiras totalizou R$ 782 milhões.
Com isso, a dívida líquida caiu 40,6%, de R$ 286,6 milhões para R$ 170,2 milhões. A alavancagem passou de 0,3 para 0,2 vez o Ebitda ajustado pré-IFRS 16 dos últimos 12 meses.
A redução do endividamento contribuiu para uma queda de 21,9% das despesas financeiras, para R$ 117,4 milhões. A despesa financeira líquida diminuiu 15,3%, para R$ 73,8 milhões.
A geração operacional de caixa, entretanto, recuou 44,5%, para R$ 148,8 milhões. O fluxo de caixa livre ajustado caiu 65,6%, para R$ 63,6 milhões.
O principal fator de pressão foi o capital de giro, que consumiu R$ 208,1 milhões, ante R$ 60,6 milhões no resultado ajustado do 2T25. O ciclo de conversão de caixa aumentou 19 dias, principalmente devido ao crescimento dos estoques.
A C&A relacionou esse aumento à retirada da telefonia, à baixa base de estoques de vestuário no ano anterior, ao fluxo de clientes abaixo do esperado em junho e à aceleração das inaugurações.






