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Preços dos alimentos voltam a subir e pressionam contratos do Grupo GPS

Preços dos alimentos voltam a subir e pressionam contratos do Grupo GPS

Para Bradesco BBI e Ágora Investimentos, alta dos alimentos pode voltar a pressionar contratos do Grupo GPS renegociados no semestre

Os preços dos alimentos voltaram a subir em setembro e reacenderam uma preocupação para o Grupo GPS (GGPS3). O grupo de alimentação e bebidas do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, prévia da inflação oficial calculada pelo IBGE) avançou 0,40%.

A virada chama atenção pelo histórico recente. Em julho, o mesmo grupo havia recuado 0,66%, e em agosto, 0,57%.

Dentro de casa, a conta ficou 0,38% mais cara. O tomate puxou a fila, com salto de 20,76%, seguido por arroz, que subiu 2,39%, e carnes, com alta de 1,30%.

Em relatório, a Ágora Investimentos avaliou o efeito do dado sobre a empresa de serviços, que opera contratos de alimentação para clientes corporativos.

“A leitura é moderadamente negativa para o Grupo GPS”, afirmam André Ferreira, do Bradesco BBI, e J. Ricardo Rosalen, da Ágora Investimentos.

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Renegociação de contratos pode perder efeito

O GPS renegociou contratos de alimentação para restabelecer as margens-alvo até o fim do primeiro semestre de 2026. Contudo, uma nova aceleração no custo da comida ameaça parte desse ganho.

O ponto sensível está nos contratos em que o aumento dos insumos chega antes do reajuste cobrado dos clientes. Nesses casos, a empresa absorve a diferença por algum tempo, e a margem sente primeiro.

“O risco dependerá da persistência e da composição da inflação”, observam André Ferreira, do Bradesco BBI, e J. Ricardo Rosalen, da Ágora Investimentos.

Tomate assusta menos que arroz e carne

Nem toda alta pesa da mesma forma. Perecíveis como o tomate costumam oscilar muito e podem devolver o avanço em poucas semanas.

Arroz, carnes e outros itens centrais do cardápio dos serviços de alimentação são outra história. Um aumento disseminado nesses produtos teria efeito operacional mais duradouro sobre o GPS.

“Por enquanto, um único mês de alta não caracteriza tendência consolidada”, ponderam André Ferreira, do Bradesco BBI, e J. Ricardo Rosalen, da Ágora Investimentos.

Fim de ano e El Niño exigem atenção

O calendário não ajuda. O 4º trimestre de 2026 costuma ter sazonalidade menos favorável para os preços de alimentos, o que reforça o risco de inflação maior na reta final do ano.

Para 2027, a incerteza vem do clima. A irregularidade associada ao El Niño pode dificultar a recuperação da oferta e ampliar a volatilidade dos preços ao longo do ano.

Portanto, mesmo sem tendência definida, a combinação entre sazonalidade e risco climático pede acompanhamento de perto, na avaliação dos analistas.