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Loro Piana cresce sem pressa e faz da exclusividade sua estratégia no luxo

Loro Piana cresce sem pressa e faz da exclusividade sua estratégia no luxo

Sob o comando de Frédéric Arnault, a grife italiana limita a oferta de produtos desejados, investe na produção artesanal e cresce sem abrir mão da exclusividade

Em um mercado no qual crescimento costuma ser sinônimo de vender mais, a Loro Piana segue na direção oposta. Sob o comando de Frédéric Arnault, a tradicional grife italiana de luxo está limitando deliberadamente a oferta de alguns de seus produtos mais desejados, em uma estratégia que coloca exclusividade, qualidade e controle da produção à frente de uma expansão acelerada.

Em entrevista ao Financial Times, Arnault revelou que a marca poderia vender muito mais unidades de seus cobiçados mocassins White Sole, que custam cerca de mil euros, mas prefere não atender completamente à demanda. A decisão ajuda a preservar a percepção de raridade em torno de uma casa conhecida por matérias-primas sofisticadas, como cashmere e vicunha, e por uma estética de luxo discreto.

A contenção, porém, não significa falta de crescimento. Em 2025, as receitas da Loro Piana avançaram 7,5%, chegando a 1,72 bilhão de euros, enquanto o lucro líquido cresceu 12%, para 434 milhões de euros, segundo dados apresentados pelo jornal britânico.

Crescer sem comprometer a qualidade

As primeiras indicações dessa estratégia já haviam aparecido durante a apresentação dos resultados de 2025 da LVMH, conglomerado que controla a Loro Piana desde 2013.

“Não queremos ir depressa demais para não perder a qualidade e travamos um pouco”, afirmou Bernard Arnault, chairman da LVMH.

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O movimento parece refletir uma lógica cada vez mais relevante no topo da pirâmide do luxo: ampliar o negócio sem tornar os produtos excessivamente disponíveis. Para marcas construídas sobre tradição, matéria-prima excepcional e produção especializada, a escassez pode funcionar como parte essencial do desejo.

Desde que a LVMH adquiriu a empresa, o valor da Loro Piana também deu um salto expressivo. Segundo Frédéric Arnault, o valor empresarial teria passado de 2,7 bilhões de euros, em 2013, para cerca de 11 bilhões de euros atualmente.

Frédéric Arnault reforça a produção artesanal

Aos 31 anos, Frédéric Arnault assumiu a liderança da Loro Piana no ano passado, depois de construir sua trajetória dentro do grupo familiar. Entre as funções anteriores, esteve a presidência executiva da TAG Heuer, cargo que assumiu aos 25 anos.

Na Loro Piana, uma de suas prioridades tem sido reforçar o controle sobre a cadeia de fornecimento e incorporar competências especializadas diretamente à estrutura da companhia.

Um dos maiores exemplos dessa estratégia é a nova fábrica de malhas da marca em Ghemme, na região italiana do Piemonte. A unidade abre neste mês e foi classificada por Arnault como o maior investimento industrial da história da Loro Piana.

Mais do que aumentar a capacidade produtiva, o investimento sinaliza a intenção de proteger conhecimentos técnicos e processos que fazem parte da identidade da casa italiana.

Preço deve acompanhar qualidade

Apesar do posicionamento no segmento mais elevado do luxo, Frédéric Arnault também rejeita uma política baseada simplesmente em aumentos agressivos de preços. Para o executivo, os valores cobrados precisam estar relacionados à qualidade percebida pelos clientes.

Segundo cálculos da Bernstein citados pelo Financial Times, o preço médio dos produtos da Loro Piana aumentou 67% entre 2019 e 2025.

Arnault considera que o posicionamento da marca no topo do mercado ajudou a Loro Piana a enfrentar melhor a desaceleração recente do setor. Ao mesmo tempo, acredita que consumidores de produtos mais acessíveis podem voltar a ter maior participação no mercado de luxo.

Para a Loro Piana, no entanto, a estratégia continua ancorada em uma combinação que atravessa gerações: matérias-primas raras, produção especializada e produtos que não estão disponíveis para todos. Em vez de transformar a alta demanda em expansão imediata, a marca escolhe preservar aquilo que, no universo do luxo, pode ser tão valioso quanto o próprio produto: o desejo de conseguir aquilo que poucos conseguem comprar.