O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (16) reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, em decisão unânime.
O movimento foi amplamente esperado pelo mercado e marca mais um passo no ciclo de flexibilização monetária iniciado pela autoridade, em um contexto de desaceleração gradual da atividade econômica e inflação em trajetória mais favorável.
“Tal como antevisto por nós, os sinais são de que a autoridade buscou ‘comprar 45 dias’ até a próxima reunião. O comunicado teve pouquíssimas alterações”, avalia Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.
No comunicado, o colegiado avaliou que o cenário internacional continua desafiador, citando as incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e às políticas monetárias de economias avançadas. Segundo o Copom, esse ambiente exige cautela dos países emergentes diante da maior volatilidade dos preços de ativos e commodities.
Em relação à economia brasileira, o Banco Central destacou que os indicadores divulgados desde a última reunião apontam para uma moderação gradual do ritmo de crescimento, especialmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico.
Apesar disso, o mercado de trabalho segue aquecido, enquanto as medidas recentes de inflação mostraram desaceleração, embora ainda permaneçam acima da meta perseguida pela autoridade monetária.
Riscos permanecem elevados
As expectativas de inflação coletadas pelo boletim Focus seguem acima do objetivo oficial. Para 2026, a projeção é de 4,9%, enquanto para 2027 o mercado estima inflação de 4,3%. Já a projeção do próprio Banco Central para o primeiro trimestre de 2028 está em 3,2%, horizonte considerado relevante para a condução da política monetária.
O Comitê também ressaltou que os riscos para a inflação continuam elevados e com viés de alta. Entre os fatores de preocupação estão a desancoragem das expectativas inflacionárias, a persistência da inflação de serviços, eventuais pressões cambiais e estímulos que possam fortalecer a demanda doméstica.
Por outro lado, uma desaceleração mais intensa da economia brasileira ou global poderia contribuir para um cenário de inflação mais benigno.
Ao justificar a decisão, o Copom afirmou que “o Comitê decidiu reduzir a taxa básica de juros para 13,75% a.a.” e reiterou que a medida é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante. O colegiado também destacou que continuará avaliando os próximos dados antes de definir a magnitude total do ciclo de ajustes.
Mercado prevê continuidade
O comunicado manteve tom cauteloso para as próximas reuniões.
Segundo o BC, “o cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária”.
A mensagem indica que a continuidade dos cortes dependerá da evolução das expectativas, da atividade econômica e do comportamento dos preços.
Na avaliação de Sanchez, a decisão não trouxe surpresas ao mercado.
Para ele, a autoridade monetária praticamente repetiu a sinalização da reunião anterior, mantendo abertas as portas para uma nova redução dos juros.
O economista acrescentou que “é natural projetarmos que, diante desse ‘mesmo’ comunicado, a autoridade cortará na próxima reunião, no mesmo ritmo, em 25 bps”.
Com isso, a leitura predominante entre os analistas é que o Banco Central preservou a estratégia gradual de afrouxamento monetário, ao mesmo tempo em que reforçou a necessidade de cautela diante de um ambiente ainda marcado por incertezas domésticas e externas.
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