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Chanel cresce 16% e transforma a era Matthieu Blazy em desejo e vendas

Chanel cresce 16% e transforma a era Matthieu Blazy em desejo e vendas

Em um cenário desafiador para o luxo, a maison combina crescimento, desejo e renovação criativa um ano após a chegada de Matthieu Blazy

Enquanto parte do mercado de luxo ainda busca recuperar o ritmo de crescimento, a Chanel avança em direção contrária. A maison registrou alta de 16% na receita no primeiro semestre de 2026, segundo números divulgados pela Bloomberg e repercutidos pelo The Guardian.

O resultado chega em um momento especialmente simbólico: Matthieu Blazy acaba de completar aproximadamente um ano à frente da direção artística da marca.

O desempenho financeiro acompanha outro indicador de força cultural. A Chanel alcançou o primeiro lugar no Lyst Index, ranking que acompanha demanda, buscas e engajamento em torno das marcas de moda. Ao mesmo tempo, a renovação promovida por Blazy começa a ganhar reflexos nas lojas. Segundo a Reuters, as propostas apresentadas pelo designer vêm atraindo novos consumidores e contribuindo para manter elevada a atividade nos pontos de venda da maison.

Em um setor marcado por recentes trocas de diretores criativos, o momento da Chanel coloca em evidência uma equação importante para as grandes casas de luxo: transformar renovação estética em desejo, tráfego e, finalmente, vendas.

Um ano de Matthieu Blazy na Chanel

A coleção Spring/Summer 2027, apresentada no Grand Palais durante a Semana de Moda de Paris, marcou o primeiro aniversário de Blazy no comando criativo da Chanel e reforçou a direção adotada pelo estilista desde sua estreia.

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A passarela trouxe uma Chanel colorida, sensual e menos previsível. Tweeds apareceram em combinações como vermelho e branco com estampa de tigre, enquanto transparências, bordados, saias de barras desfiadas, vestidos fluidos e referências à alfaiataria masculina ampliaram o vocabulário tradicional da casa.

Os acessórios também participaram dessa mudança de tom. Os clássicos sapatos bicolores ganharam estampas de animais e novas combinações cromáticas, enquanto bolsas matelassadas surgiram em versões que incluíam zebra e cores contrastantes. A Reuters destaca que a mistura de códigos tradicionais com uma abordagem jovial tem sido uma das características da Chanel de Blazy.

O tailleur Chanel encontra o sportswear

Entre os experimentos técnicos da temporada, um dos principais estava justamente em um dos maiores símbolos da maison: o tailleur.

Blazy desenvolveu uma versão em seda franzida aplicada sobre uma membrana elástica, criando um tecido capaz de acompanhar os movimentos do corpo com uma flexibilidade próxima à das roupas esportivas. A construção atualiza a peça sem apagar sua identidade visual, aproximando a alfaiataria histórica da Chanel de uma ideia contemporânea de conforto e liberdade.

Ao longo dos 83 looks apresentados, apareceram ainda malhas ajustadas ao corpo, coletes com acabamento desfiado, minissaias, lingerie, vestidos leves e peças inspiradas no guarda-roupa masculino. A coleção manteve referências reconhecíveis da maison, mas evitou tratá-las como elementos intocáveis.

Pássaros gigantes e estrelas no Grand Palais

A cenografia ajudou a ampliar essa sensação de liberdade. O Grand Palais recebeu dezenas de pássaros gigantes iluminados suspensos sob sua estrutura de vidro, além de uma grande lua e uma passarela de superfície refletora.

Na primeira fila, Nicole Kidman, Dua Lipa e Pedro Pascal estavam entre os convidados que acompanharam a apresentação. Kidman também participou da trilha sonora do desfile, enquanto a modelo Dyanira Hurbuscher abriu e encerrou a coleção carregando uma bolsa 2.55 pertencente a Gabrielle Chanel e preservada nos arquivos da maison.

O gesto resume boa parte da estratégia criativa de Blazy: trabalhar com símbolos conhecidos da Chanel enquanto abre espaço para novas leituras.

Criatividade começa a aparecer nos números

A relevância desse movimento fica ainda maior quando observada fora da passarela.

A Chanel atravessa 2026 com crescimento de 16% no primeiro semestre, liderança no Lyst Index e sinais de renovação de sua base de consumidores. Nesse cenário, o primeiro ano de Matthieu Blazy oferece um exemplo de como uma mudança de direção criativa pode repercutir em diferentes frentes da marca.

O desfile Spring/Summer 2027 apresentou tweed, transparências, bolsas quilted, vestidos fluidos e experimentação técnica. Os números, porém, colocam essa renovação em outra escala. Para a Chanel, criatividade e desempenho comercial começam a aparecer na mesma narrativa, justamente quando diversas maisons ainda procuram uma fórmula capaz de reacender o desejo do consumidor.

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