A Suzano (SUZB3) conseguiu implementar o aumento de preços da celulose anunciado em setembro e prepara uma nova alta para outubro, em um sinal de melhora no ambiente de curto prazo para o produto. A companhia pretende levar o preço da celulose de fibra curta para US$ 600 por tonelada na China, segundo relatório do BTG Pactual (BPAC11) após reunião com executivos da empresa em Nova York. O banco de investimentos manteve a recomendação de compra para os papéis da empresa de celulose e preço-alvo de R$ 72.
A estratégia é apoiada por estoques menores nos portos, pelo adiamento do projeto OKI II, pelo aumento dos custos de madeira na Ásia e pelo fechamento definitivo de capacidade de produção de celulose de fibra longa.
Segundo o BTG, a Suzano formou uma carteira de pedidos saudável após o reajuste de setembro e demonstra confiança na implementação do aumento anunciado para outubro. Para o banco, o cenário configura um mini-ciclo mais favorável para a celulose, embora a visibilidade para o mercado adiante continue limitada.
A oferta elevada deve continuar sendo um desafio, tornando importantes movimentos como fechamento de fábricas, paradas de produção relacionadas às condições de mercado e eventuais atrasos em novos projetos para ajudar a equilibrar o mercado.
Suzano reduz apetite por novos projetos
Diante desse cenário, a administração da Suzano mantém uma postura mais conservadora em relação a novos investimentos em capacidade de produção de celulose.
O BTG afirma que a companhia demonstra pouco interesse em adicionar capacidade relevante ou realizar grandes investimentos, diante da piora da economia de projetos de novas fábricas e de uma perspectiva mais desafiadora para oferta e demanda.
A estratégia está concentrada naquilo que a empresa consegue controlar: custos, investimentos, redução da dívida e captura de valor dos ativos adquiridos recentemente.
Desalavancagem ganha prioridade
No lado financeiro, a Suzano deve atingir o pico de alavancagem no terceiro trimestre de 2026, após a conclusão da transação com a Kimberly-Clark.
A expectativa do BTG é de geração positiva de fluxo de caixa livre daqui para frente, combinada com redução dos investimentos e possibilidade de venda de ativos não essenciais. Esses fatores devem ajudar a companhia a acelerar o processo de desalavancagem.
A administração também vê espaço relevante para melhorar a rentabilidade da joint venture com a Kimberly-Clark ao longo dos próximos três anos.
Para o BTG, a integração e a execução da operação são prioridades claras da Suzano neste momento, em vez da busca por novos projetos de expansão.
Oferta será ponto de atenção
O equilíbrio entre oferta e demanda continuará sendo determinante para a trajetória dos preços da celulose. A entrada de nova capacidade pode pressionar o mercado, enquanto fechamentos de unidades e postergações de projetos podem ajudar a limitar o excesso de oferta.
Nesse ambiente, o BTG considera positiva a postura da Suzano de preservar a disciplina de capital e concentrar esforços na redução da dívida e na melhoria operacional dos ativos existentes.
A avaliação considera a escala da companhia, o controle de custos, a geração de caixa e o potencial de captura de ganhos de eficiência nas operações recentes, ao mesmo tempo em que a ausência de grandes projetos de expansão reduz a exposição da Suzano aos riscos de novos investimentos em um mercado de maior incerteza.
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