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Alegría faz São Paulo voltar a ser criança na estreia do Cirque du Soleil

Alegría faz São Paulo voltar a ser criança na estreia do Cirque du Soleil

Com estreia em 20 de agosto, no Parque Villa-Lobos, Alegría – In A New Light combina acrobacias de tirar o fôlego, música ao vivo, humor e uma atmosfera lúdica que faz o público esquecer o mundo lá fora por algumas horas

Há um momento em Alegría – In A New Light em que a lógica simplesmente deixa de importar. Você já não pensa nos cabos, na altura, nos meses de ensaio ou na precisão necessária para que tudo aconteça. Só acompanha, boquiaberto, um corpo que voa de um trapézio para outro. Quando o movimento termina, vem o arrepio. Depois, o aplauso e o sorriso.

Foi assim durante a pré-estreia do novo espetáculo do Cirque du Soleil em São Paulo, realizada na Grande Tenda montada no Parque Villa-Lobos. A temporada estreia oficialmente nesta quinta-feira, 20 de agosto, e segue na capital paulista até 8 de novembro, com a EQI Investimentos como principal patrocinadora. Depois, Alegría – In A New Light desembarca em Curitiba, onde fica em cartaz de 19 de novembro a 13 de dezembro de 2026.

Mas explicar Alegría apenas por seus números acrobáticos seria pouco. O espetáculo nos transporta para um universo onde, por algumas horas, parece perfeitamente aceitável voltar a ser criança. Rimos dos palhaços antes mesmo de entender o que eles estão dizendo. Aliás, talvez parte da graça esteja justamente nisso: entre sons, gestos e o divertido “cirquish”, a linguagem própria dos clowns, a comunicação acontece sem precisar de tradução.

É um mundo de cores e sons vibrantes, personagens cativantes e movimentos que fazem a Grande Tenda parecer um universo à parte.

Um clássico visto sob uma “nova luz”

Criado originalmente em 1994, Alegría ganhou uma releitura pensada para conversar com o público atual sem abandonar aquilo que transformou a produção em um dos títulos mais conhecidos do Cirque du Soleil.

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“Em vez de simplesmente trazer Alegría de volta ao seu formato original, as equipes criativas de Cirque du Soleil deram-se o desafio de reimaginar totalmente o show”, explica Rachel Lancaster, diretora artística da produção.

Alegría – In A New Light / Divulgação Cirque du Soleil

A nova versão preserva a essência do espetáculo, mas traz mudanças no palco, nos figurinos e nas músicas, que foram adaptados para a nova versão. Os números também ganharam novidades: entre elas está o Flying Trapeze, que não fazia parte da montagem original e hoje protagoniza alguns dos momentos que mais arrancam suspiros e gritos da plateia.

A história se passa em um reino que perdeu seu rei e vive uma disputa entre uma antiga aristocracia, empenhada em preservar seus privilégios, e uma geração mais jovem que deseja romper com o status quo. Mas não é preciso acompanhar cada detalhe dessa narrativa para ser capturado pelo espetáculo. Em Alegría, boa parte da história também é contada pelas sensações. E elas vêm de todos os lados.

Quando o corpo voa e a plateia prende a respiração

No trapézio, a distância entre a beleza e o risco parece mínima. Para quem assiste, são segundos de tensão. Para quem está lá em cima, são anos de preparação.

Cirque du Soleil em São Paulo
Trapezistas do Cirque du Soleil no Flying Trapeze / Divulgação EQI Investimentos

A brasileira Pati Kuwai, artista do Flying Trapeze, dedica-se ao circo há 13 anos e carrega uma trajetória que começou ainda na infância, com a ginástica olímpica. Mesmo depois de chegar ao Cirque du Soleil, o treinamento não para. Fisioterapia, pilates e musculação fazem parte da rotina para que, quando as luzes se acendem, cada movimento pareça natural.

“A gente treinou uma vida inteira”, resume.

Há ainda detalhes que o público dificilmente imagina. Cada artista é responsável pela própria maquiagem. Pati leva entre 45 minutos e uma hora para fazer a sua e conta que o processo é ensinado passo a passo pela equipe até que o artista consiga reproduzi-lo sozinho.

Nos bastidores, enquanto a plateia encontra seus lugares, há aquecimento, preparação física e até momentos prosaicos de convivência. Alguns descansam, outros jogam bola. Essa proximidade também ajuda a criar o entrosamento que aparece no palco.

Cirque du Soleil em São Paulo
Luiz Felipe, Julio Cezar e Geilson Santana – Trapezistas do Cirque du Soleil / Divulgação EQI Investimentos

Geilson Santana sabe bem o que significa chegar até ali. Há 20 anos dedicado à arte circense, ele admite que o frio na barriga continua antes de cada apresentação, sensação compartilhada pelo também trapezista Luiz Felipe, que nasceu em uma família tradicional de circo.

O curioso é perceber que, enquanto a plateia prende a respiração, quem está voando lá em cima também sente o frio na barriga.

A voz que atravessa a Grande Tenda

Se as acrobacias fazem o coração acelerar, a música dá alma a Alegría e toma conta da Grande Tenda a cada nova canção. E ouvir Cássia Raquel e Steffi Cannelli ao vivo é parte fundamental dessa experiência.

Cássia, brasileira, passou pelo teatro musical, por produções biográficas e infantis e tem formação em música clássica. Hoje, como Singer in Black, leva ao palco uma voz que preenche a Grande Tenda e acompanha alguns dos momentos mais marcantes da apresentação.

Cirque du Soleil em São Paulo
Cássia Raquel, cantora do Cirque du Soleil / Divulgação EQI Investimentos

A preparação começa muito antes da primeira nota. Entre maquiagem, figurino, cabos, microfone, cabelo, peruca, passagem de som e aquecimento vocal e corporal, são pelo menos duas horas até a entrada em cena.

Entre as canções, “Fogo” guarda uma história particular. Cássia conta que a música foi desafiadora no início por começar em uma região muito grave e exigir, ao mesmo tempo, potência vocal. Depois de cinco anos cantando o repertório, a voz já se acostumou às exigências da música e hoje há até espaço para pequenas variações durante a apresentação.

Há também um significado especial em ocupar esse palco. A cantora é a primeira mulher preta a interpretar a Singer in Black e enxerga no figurino, no brilho e até nas referências que remetem ao carnaval uma conexão com a própria história.

Já “Vai Vedrai”, uma das músicas mais aguardadas de Alegría, ainda provoca tensão. “É uma música que tem uma extensão vocal muito grande”, conta. Como há poucos elementos disputando a atenção naquele momento, a voz ganha ainda mais responsabilidade. “Eu não posso errar, porque se eu errar, elas podem errar também.”

A tensão que Cássia descreve, no entanto, dificilmente é percebida por quem assiste. Na Grande Tenda, o que se ouve é uma interpretação segura de uma das canções mais conhecidas do espetáculo.

Uma parceria construída para ir além da marca

Cirque du Soleil em São Paulo
Artistas brasileiros do Cirque du Soleil com Stephanie Mayorkis, diretora divisão de entretenimento da IMM, e Thiago Mendes, da EQI Investimentos / Divulgação EQI Investimentos

A chegada de Alegría ao Brasil também marca a parceria entre o Cirque du Soleil e a EQI Investimentos, principal patrocinadora da temporada. Segundo Thiago Mendes, diretor de Estratégia de Comunicação da EQI, o convite surgiu por meio da IMM, produtora responsável pela realização do espetáculo no país, em um momento no qual a empresa buscava ampliar sua presença nos segmentos private e wealth.

Para a EQI, a aproximação também encontrou pontos em comum entre universos que, à primeira vista, parecem distantes. “Visualizamos muito da nossa própria essência: precisão, disciplina, estratégia e confiança”, afirma Mendes.

A comparação faz sentido especialmente depois de assistir ao espetáculo. No alto da Grande Tenda, tudo acontece em poucos segundos, mas cada movimento é sustentado por anos de treino. Na visão da empresa, essa combinação entre preparação, estratégia e confiança também está no centro do trabalho com investimentos.

A intenção, segundo Mendes, é que a parceria ultrapasse a exposição de marca e crie experiências memoráveis para clientes, além de aproximar a EQI do público private e wealth. “Viabilizar um espetáculo desse porte no Brasil é contribuir para levar entretenimento e cultura de altíssimo nível ao público brasileiro”, diz.

Depois de meses de negociações e planejamento, ver a Grande Tenda ocupada também tem um significado particular para quem participou dos bastidores da parceria. Para Mendes, é a materialização de um trabalho que busca “gerar memórias” e investir em experiências à altura dos sonhos dos clientes.

Para a EQI, a própria alegria que dá nome ao espetáculo ajuda a resumir a associação que a marca espera construir com o público. “A alegria que o público sente na Grande Tenda é, no fundo, a mesma alegria que buscamos entregar quando um cliente vê um projeto de vida se realizar por meio de um bom planejamento financeiro”, afirma.

Por algumas horas, voltamos a ser crianças

No fim, é difícil sair de Alegría pensando apenas em um número.

Ficam os trapezistas se lançando no vazio. A voz que arrepia. Os figurinos. A música. Os pequenos detalhes de maquiagem. O absurdo divertido dos palhaços falando uma língua que ninguém aprendeu, mas todo mundo parece entender.

Divulgação Cirque du Soleil

Fica, sobretudo, aquela sensação rara de ter passado algumas horas em outro lugar.

Quando as luzes se acendem novamente, é até estranho lembrar que estamos dentro de uma tenda no Parque Villa-Lobos. Talvez seja esse o encanto de Alegría: por algumas horas, acreditamos nos palhaços, prendemos a respiração com quem está voando sobre nossas cabeças e esquecemos que crescer também significou deixar um pouco desse encantamento para trás.

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