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Marcopolo: recompra é sinal de valuation atrativo, diz BTG

Marcopolo: recompra é sinal de valuation atrativo, diz BTG

Dividendo de R$ 161 milhões e recompra de R$ 205 milhões podem somar retorno de até 7% aos acionistas da Marcopolo

A Marcopolo (POMO4) anunciou dividendo obrigatório de R$ 0,13 por ação e recompra de até 49 milhões de ações preferenciais. Juntas, as duas medidas somam cerca de R$ 366 milhões. O retorno potencial aos acionistas chega a 7%, segundo o BTG Pactual.

“Acreditamos que esses anúncios, sobretudo a recompra, destacam o valuation atrativo da Marcopolo, negociada a 4 vezes o lucro projetado para 2027, depois de um segundo trimestre fraco e em meio à volatilidade do mercado”, escreveram Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, analistas do BTG Pactual.

O programa de recompra pegou o mercado de surpresa. Vinha após um segundo trimestre fraco e em meio à volatilidade recente das ações da fabricante de carrocerias de ônibus.

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Recompras não são comuns na Marcopolo nos últimos anos. A última havia ocorrido em 2024, com um programa bem menor, de até 5 milhões de ações preferenciais. O novo programa é cerca de dez vezes maior.

Como funcionam o dividendo e a recompra

O dividendo de R$ 0,13 por ação soma cerca de R$ 161 milhões. O valor equivale a um retorno de 3% sobre o preço da ação. O valor considera a posição acionária em 25 de agosto de 2026. As ações passam a ser negociadas ex-dividendo a partir de 26 de agosto. O pagamento aos acionistas começa em 9 de setembro.

A recompra prevê a aquisição de até 49 milhões de ações preferenciais. O volume representa cerca de 4% do total de ações. Em relação ao free float, ações em circulação no mercado, o percentual sobe para 5%.

O valor da operação é de cerca de R$ 205 milhões. A cifra equivale a 2,7 vezes o volume médio diário negociado nos últimos doze meses. O programa tem prazo de 18 meses para ser concluído.

“Reconhecemos que a companhia pode continuar enfrentando dificuldades de crescimento adiante, mas acreditamos que o retorno de capital deve trazer algum alívio aos acionistas”, escreveram Marquiori, Recchia e Alkmim.

Notícia positiva não muda recomendação neutra

Para o BTG, o anúncio reforça o valuation pouco exigente e a posição de caixa confortável da Marcopolo. A ação tem sofrido com um ambiente ainda difícil de volumes no setor de ônibus.

“Vemos isso como um desenvolvimento positivo, sobretudo depois de um segundo trimestre fraco e do desempenho recente ruim das ações”, escreveram os analistas.

O crescimento da companhia segue sob pressão em meio ao cenário atual do setor. Apesar da notícia construtiva, o banco não vê motivo suficiente para mudar a recomendação.

“Vemos a notícia como construtiva, mas mantemos a recomendação neutra, já que a companhia continua navegando por um ambiente de volumes difícil e por um contexto macroeconômico mais amplo”, concluíram Marquiori, Recchia e Alkmim.