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Indo além das praias: um roteiro de luxo para descobrir outro lado das Bahamas

Indo além das praias: um roteiro de luxo para descobrir outro lado das Bahamas

Entre adegas históricas, hotéis sofisticados, arte, gastronomia e passeios privativos, Nassau e Paradise Island revelam uma face das Bahamas que vai muito além das praias

As águas transparentes e as extensas faixas de areia branca continuam sendo o cartão-postal mais reconhecido das Bahamas. Mas basta deixar a praia por algumas horas para encontrar outra faceta do arquipélago. Em Nassau e Paradise Island, construções históricas, hotéis de alto padrão, gastronomia, arte e experiências privativas ajudam a desenhar um roteiro de luxo voltado ao viajante que procura mais do que dias à beira-mar.

O interesse crescente pelo destino aparece também nos números. Em 2025, as Bahamas receberam o recorde de 12,5 milhões de visitantes, segundo o Ministério do Turismo, Investimentos e Aviação do país. O volume representa crescimento de 11,4% em relação a 2024 e coloca o arquipélago mais de 70% acima dos níveis registrados em 2019, antes da pandemia.

Foi nesse cenário que a curadora de alta joalheria e especialista em marcas de luxo Ana Paula Carneiro percorreu Nassau e Paradise Island. A viagem revelou endereços que ajudam a entender como história, hospitalidade e exclusividade se encontram no destino.

“As praias são realmente impressionantes, mas o que mais me encantou foi perceber como história, gastronomia e hospitalidade convivem de forma muito natural por lá. Cada lugar tem uma narrativa própria, o que torna a viagem ainda mais rica”, conta Ana Paula.

Uma adega histórica no coração de Nassau

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Divulgação

Entre os endereços que traduzem esse encontro entre passado e sofisticação está o Graycliff, no centro histórico de Nassau, próximo à Government House. A mansão, erguida em 1740, foi transformada ao longo dos séculos em um dos hotéis mais emblemáticos da região.

Um de seus destaques é a Graycliff Wine Cellar, que reúne mais de 275 mil garrafas. Parte da experiência está justamente no contraste: a coleção ocupa um espaço que já funcionou como prisão e ainda conserva elementos de sua arquitetura original, incluindo antigas grades.

Entre os rótulos históricos está o raro Rüdesheimer Apostelwein de 1727. Para Ana Paula, percorrer a adega faz com que a visita se aproxime da experiência de conhecer uma coleção de arte. “Caminhar por um espaço que preserva a arquitetura original da antiga prisão, enquanto abriga uma coleção construída ao longo de décadas, faz você enxergar cada garrafa quase como uma obra de arte”, afirma.

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Administrado pela família Garzaroli desde 1973, o Graycliff possui apenas 16 acomodações, além de restaurante, fábrica de charutos e produção de chocolates abertas à visitação. A propriedade também faz parte da transformação da West Hill Street, hoje reconhecida pelos guarda-chuvas coloridos suspensos sobre a via.

Golfe e privacidade em Albany

Para quem associa luxo principalmente à privacidade, Albany representa outra face das Bahamas. Localizada em New Providence, a comunidade reúne marina, residências de alto padrão e um campo de golfe projetado pelo sul-africano Ernie Els.

O espaço recebe o Hero World Challenge, torneio organizado por Tiger Woods, e mantém uma política rígida de privacidade. Entre os nomes associados à propriedade estão personalidades do esporte e da música, como Mick Jagger, Alicia Keys e Justin Timberlake.

Mais do que ostentação, a experiência por ali está ligada à exclusividade e ao acesso restrito, características que ganharam espaço no turismo de alto padrão nos últimos anos.

Arte bahamense dentro de uma mansão do século 19

O roteiro ganha uma dimensão cultural na National Art Gallery of The Bahamas. O museu funciona na Villa Doyle, mansão construída na década de 1860 e transformada em galeria no início dos anos 2000.

Seu acervo reúne pinturas, esculturas, fotografias e peças têxteis que ajudam a acompanhar as transformações artísticas, sociais e políticas das Bahamas desde o período colonial.

A visita é uma oportunidade para enxergar o arquipélago para além da imagem de destino de sol e mar. A própria arquitetura da Villa Doyle acrescenta uma camada à experiência e ajuda a conectar a produção contemporânea do país à sua trajetória histórica.

Rum, arquitetura colonial e a história de Nassau

Outra parada possível é a John Watling’s Distillery, instalada na Buena Vista Estate, propriedade histórica erguida em 1789. O endereço produz rum artesanal e oferece degustações guiadas, nas quais o visitante pode conhecer detalhes dos processos de envelhecimento e criação dos blends.

A propriedade também guarda histórias curiosas. Além de ter recebido personalidades ao longo das décadas, serviu como locação para “Cassino Royale”, da franquia James Bond.

Para aprofundar o mergulho na história local, uma alternativa é combinar a visita com um passeio particular pelo centro de Nassau. Entre os marcos está o Fort Charlotte, construído em 1788 e considerado o maior forte de New Providence. O complexo reúne fosso, passagens subterrâneas, masmorras e dezenas de canhões.

Do encontro com a vida marinha a Pig Beach

Mesmo em um roteiro dedicado à cultura e à sofisticação, seria difícil deixar o mar de fora. A diferença está na maneira de explorá-lo. Passeios de barco privativos permitem montar percursos com tripulação especializada e conhecer diferentes pontos do arquipélago com mais liberdade.

Entre as experiências estão encontros com tartarugas, golfinhos e tubarões em seu habitat natural, sempre respeitando as orientações de segurança e conservação de cada área.

Pig Beach também aparece entre as paradas mais conhecidas. A praia ganhou fama internacional pelos porcos que nadam em direção às embarcações e se tornou uma das imagens mais curiosas associadas às Bahamas.

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Paradise Island combina hotelaria e alta gastronomia

Na vizinha Paradise Island, o roteiro de Ana Paula incluiu uma estadia no Ocean Club, A Four Seasons Resort. Inaugurada em 1962, a propriedade combina uma extensa faixa de areia com jardins de inspiração europeia e uma atmosfera mais reservada.

A gastronomia é outro dos atrativos. Instalado diante do oceano, o DUNE by Jean-Georges é comandado pelo chef francês Jean-Georges Vongerichten e combina referências francesas, asiáticas e caribenhas, com frutos do mar e ingredientes locais entre os protagonistas do menu.

“É um lugar que transmite calma desde o primeiro momento. Você toma café olhando para o mar, passeia pelos jardins sem pressa e entende por que tantas pessoas escolhem voltar”, resume Ana Paula.

O percurso por Nassau e Paradise Island mostra que o luxo nas Bahamas não precisa estar restrito a suítes, marinas ou praias particulares. Ele também aparece no tempo dedicado a uma boa mesa, no acesso a espaços históricos, na descoberta da produção artística local e na possibilidade de conhecer o arquipélago com calma. Para quem busca uma viagem que combine paisagens caribenhas com cultura e experiências exclusivas, há muito para descobrir depois que o dia de praia termina.

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