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Corte de juros à vista – Ibovespa em alta?
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Corte de juros à vista – Ibovespa em alta?

Será que realmente existe uma relação direta entre cortes de juros e alta da Bolsa? Confira

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central foi dado o tão esperado sinal em favor do início do ciclo de cortes da Selic – e isso pode alterar de forma substancial a dinâmica dos investimentos a partir de agora no Brasil.

O comitê foi categórico ao afirmar, em seu comunicado sobre a decisão da taxa básica de juros,que, em “…se confirmando o cenário esperado, (deve-se) iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião…”.   

A próxima reunião do Copom já tem data: os dias 17 e 18 de março. E deve confirmar, portanto, o movimento que o mercado vem tentando antecipar com mais assertividade desde dezembro do ano passado. 

Agora, com os cortes mais precificados, passou-se a discutir a intensidade dessa redução entre os agentes do mercado. Duas alas, então, se formaram. 

A primeira delas, reunindo aqueles que acreditam que o Copom será mais conservador e fará um primeiro corte de apenas 0,25 ponto percentual. E a segunda, entre aqueles que acreditam em uma maior agressividade, com corte de 0,5 ponto percentual. 

Essa última opção, inclusive, vem ganhando força e já é o cenário de maior probabilidade segundo a precificação de mercado, com cerca de 90%. 

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O fato é que, independentemente de uma redução de 0,25 p.p. ou 0,5 p.p., com o início do ciclo de cortes os títulos indexados logo começarão a pagar menos, e a taxa atual de 15% ao ano da Selic não será mais uma realidade. 

Para muitos, esse pode ser um gatilho importante para se buscar ativos de risco, como uma alternativa de diversificação e potencialização de retorno. E é aí que uma pergunta crucial começa a entrar na mente dos investidores:

Afinal, há uma relação direta entre cortes de juros e alta da Bolsa? 

Com base nesse questionamento, analisamos os dados dos últimos seis ciclos de cortes de juros, ocorridos ao longo dos últimos 20 anos, com o objetivo de desvendar os efeitos desses movimentos sobre o desempenho do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira. 

Apesar de ser uma amostra pequena, como é possível observar mais detalhadamente no gráfico a seguir, em apenas um caso (2011) o Ibovespa apresentou performance negativa no período analisado.  

Nos demais, o comportamento foi amplamente positivo: em média, o índice registrou um retorno de aproximadamente 31% quando consideramos o intervalo que compreende os três meses anteriores ao início dos cortes e o período de um ano após o começo do ciclo.

Performance do Ibovespa antes e após o início do ciclo de corte de juros

Como também já estamos nos aproximando do acontecimento em questão (o início dos cortes), caso realmente este venha a acontecer em março, também conseguimos analisar no gráfico a performance prévia ao evento para o ciclo de 2026 (em vermelho). 

O Ibovespa já acumula uma performance no grupo de pouco mais de 17%, guiado pelo ciclo de cortes, mas também pelo contexto deste exato momento, de maior diversificação dos investidores globais tendo economias emergentes como destino de seus recursos. 

Uma outra forma de analisar o evento, para quem não se posicionou de forma antecipada, é pelo cálculo da diferença de performance média entre duas variáveis:

  1. se posicionar 3 meses antes do corte e segurar por mais um ano; e
  2. esperar o primeiro corte e se posicionar também por um ano. 

Nesse caso analisado, conforme se vê no gráfico abaixo, apesar de inferior, a rentabilidade média histórica ainda é positiva, de 24%.

Performance do Ibovespa após o início do cilco de corte de juros

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De todos esses, o pior caso foi o do ciclo de 30 de julho de 2019 a 30 de julho de 2020, que acumulou uma performance positiva de apenas 2%. Entretanto, não podemos ignorar que esse ciclo foi fortemente prejudicado pela pandemia de Covid-19 em 2020 e o primeiro lockdown. 

Já o melhor caso analisado foi no ciclo de 2009, com uma performance acumulada de 82%, fruto de forte e rápida recuperação econômica após a crise das hipotecas em 2008, iniciada nos EUA. 

Em ciclos de queda de juros, o mercado costuma recompensar quem se antecipa, mas os dados mostram que ainda há espaço relevante mesmo para quem começa a se posicionar após os primeiros cortes.  

Em um cenário de Selic em queda e maior busca por retornos, entender esse movimento pode ser determinante para as decisões de alocação nos próximos meses. E atenção, porque a diferença, agora, poderá estar menos na direção do mercado e mais no posicionamento de cada investidor diante dessa nova fase do ciclo.