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Estratégia 60/40 pode falhar em ambientes de inflação alta, alerta Carson

Estratégia 60/40 pode falhar em ambientes de inflação alta, alerta Carson

Estudo mostra que ações e títulos podem cair juntos em regimes inflacionários, reduzindo o efeito de diversificação do portfólio

A estratégia clássica de investimento que combina 60% em ações e 40% em títulos de renda fixa pode não oferecer a proteção esperada em períodos de inflação elevada e juros em alta. É o que aponta um relatório da Carson Group, que analisa quase um século de dados de mercado.

Segundo o estudo, a carteira 60/40 se destacou por oferecer um modelo equilibrado de alocação ao longo das últimas décadas. Segundo o estudo da Carson, o desempenho histórico da estratégia está mais ligado ao contexto macroeconômico do que a estratégia em si. O que motivou o bom desempenho deste direcionamento foi o longo ciclo de queda das taxas de juros iniciado nos anos 1980.

Nesse ambiente, os títulos de renda fixa foram fundamentais na valorização das carteiras. Com a queda dos rendimentos, os preços dos títulos subiram, complementando os ganhos das ações e ajudando a suavizar a volatilidade dos portfólios.

“O que muitas vezes passa despercebido é que a reputação da estratégia 60/40 pode depender muito mais de um ambiente específico — a longa queda das taxas de juros iniciada no começo dos anos 1980”, destaca o relatório da Carson.

O problema, segundo o estudo, é que essa dinâmica pode se inverter em regimes de inflação mais elevada.

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Quando a diversificação desaparece

Em cenários de inflação alta ou de aumento das taxas de juros, a correlação entre ações e títulos de renda fixa tende a se tornar positiva — o que reduz o principal benefício da estratégia 60/40.

Um exemplo recente ocorreu em 2022, quando o Federal Reserve (Fed) elevou agressivamente os juros para conter a inflação pós-pandemia. Naquele ano, as ações registraram queda de 18%, enquanto os títulos recuaram 17,8%.

Com isso, a carteira 60/40 teve perda de cerca de 18% em termos nominais e aproximadamente 24% em termos reais, quando ajustada pela inflação.

“Em períodos de aumento das taxas de juros e inflação, a correlação entre ações e títulos historicamente se torna positiva, reduzindo o benefício de proteção que os títulos antes proporcionavam”, afirma a Carson no relatório.

Segundo a casa, esse episódio não foi isolado. Dados históricos mostram que situações semelhantes ocorreram em outros períodos inflacionários, como na década de 1970, quando a inflação média superou 7% e corroeu os retornos reais das carteiras.

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Implicações para os investidores

Diante desse cenário, o relatório argumenta que estratégias tradicionais de alocação podem precisar ser repensadas em ambientes de inflação persistente.

A casa sugere ampliar a diversificação para além da renda fixa tradicional, incluindo ativos tangíveis como commodities, infraestrutura e imóveis, que historicamente apresentam menor correlação com ações e títulos em regimes inflacionários.

“A história mostra que a estratégia 60/40 não é infalível. Seu desempenho está intimamente ligado ao regime macroeconômico, especialmente às tendências de juros e inflação”, conclui o estudo.