O segundo trimestre foi marcado por uma retomada econômica mais relevante e as companhias que produzem ou comercializam bens duráveis demonstraram isso em seus relatórios – quase a totalidade delas reportou bons números, apesar de ter de se levar em conta que na base anual a comparação é desajustada.
“Considerando o forte efeito da pandemia sobre o segundo trimestre da companhia, preferimos adotar ao longo do relatório a comparação com o primeiro trimestre de 2021”, abre a analista da Eleven Flávia Ozawa em sua análise sobre a Romi (ROMI3), especializada em maquinário.
Mesmo nas bases trimestrais, porém, houve melhora. Continuando no caso da Romi, a Eleven aponta que a companhia entregou uma “robusta entrada de pedidos tanto no braço de máquinas quanto na de fundidos e usinados”. Nesses dois braços da Romi, as receitas cresceram na base trimestral, respectivamente, 46,3% e 30,6%.
Weg e Randon superam projeções em vendas
Com a Weg (WEGE3) não foi muito diferente. “A demanda no mercado doméstico segue forte e a margem operacional foi impressionantemente resiliente, gerando altos retornos” comentaram os analistas do BTG Pactual (BPAC11) sobre a fabricante de equipamentos elétricos.
A Weg superou as projeções do BTG Pactual tanto nas vendas para o mercado interno, que ficaram 18% acima da expectativa do banco, quanto nas vendas para o externo, 12% acima do consenso. “Em dólares, as vendas aumentaram 32% na base anual, enquanto as receitas em moeda local subiram 23% na mesma base, confirmando a tendência de recuperação”.
A Randon, montadora e fabricante de autopeças, também mostrou desempenho semelhante, reportando uma receita líquida de R$ 2,11 bilhões, 10% maior do que no primeiro trimestre deste ano e 126% maior na base anual. “O resultado é impulsionado pela alta demanda pelos produtos da companhia, com destaque para implementos rodoviários e autopeças para montadoras de caminhões e ônibus”, comentou a Benndorf Blend em relatório.
Esse padrão, de forte alta na base anual e menor na trimestral nas receitas, foi observado em quase todas as empresas de bens duráveis. A Iochpe-Maxion, por exemplo, viu a sua alcançar R$ 3,2 bilhões, alta de 171,7% na base anual e de 1,6% quando comparada ao período entre janeiro e março deste ano. A Embraer foi no mesmo caminho, tendo uma receita de R$ 5,9 bilhões, crescendo 106,8% na base anual e 33% na trimestral.
Para o futuro, olho nas margens
As companhias de bens duráveis, para além dos resultados entregues no trimestre, fecharam junho também, em sua maioria, com boas carteiras de pedidos.
“A carteira de pedidos da Máquinas Romi ao final de junho era de R$ 340,6 milhões, valor que representa estabilidade em relação ao final do primeiro trimestre, o que é um indicativo positivo para o segundo semestre”, afirmou a Eleven.
A Mirae acredita que a retomada econômica também deve manter os investimentos em infraestrutura, máquinas e bens de capital elevados. “A empresa deve conviver ao longo de 2021 com um aumento na carteira de pedidos”, afirmou sobre a Romi.
Já a Embraer, em outro exemplo, em seu guidance, prevê entregar no segundo semestre de 45 a 50 aeronaves na divisão comercial e de 90 a 95 na aviação executiva. Nos primeiros seis meses de 2021, para fins de comparação, ela entregou 23 jatos comerciais e 33 executivos.
O crescimento do número de pedidos, porém, geram desconfiança de que uma alta dos preços pode pressionar as margens das companhias no segundo semestre – movimentação que, em parte, já foi um pouco vista. “A pressão inflacionária sobre os insumos e matéria-prima juntamente com o aumento dos custos de frete e a necessidade de horas extras com o absenteísmo devido à pandemia em momento de produção aquecida levaram a margem a recuar”, afirmou a Eleven sobre o desempenho da Fras Le.
O investidor terá, então, de monitorar o controle das despesas dessas empresas, algo no que algumas companhias já estão trabalhando, segundo analistas.
Sobre a Romi, a Eleven apontou que “o controle de despesas já compensou o efeito da pressão inflacionária no segundo trimestre O BTG apontou que a Weg já conseguiu aprimorar suas margens com racionalização de custos e de despesas na base anual, apesar de mais gastos com custos de matéria-prima trimestral. Já a Fras Le, que viu suas margens caírem, deve, para Eleven, melhorar operacionalmente.
A Blend, sobre a Weg, aponta que é necessário acompanhar o câmbio – uma vez que essas companhias são muito dependentes de commodities, com o preço do dólar impactando no preço, e também de exportações.
Forte demanda e problemas no abastecimento afetaram algumas companhias
O crescimento da demanda acabou, porém, por prejudicar algumas empresas. É o caso da Iochpe Maxion, produtora de peças automotivas que, para o Itaú BBA, apesar de ver os volumes se recuperando junto com a demanda global, ainda é prejudicada pela falta de componentes na indústria automotiva.
Já na Fras Le, a Eleven viu que a companhia conseguiu entregar um bom desempenho mesmo com a escassez de semicondutores. “Contribuiu positivamente a preferência por transporte individual em contexto de pandemia, aumento do volume do e-commerce e o momento favorável do agronegócio”, contaram os analistas da casa.
O investidor, tem, então, também de acompanhar notícias de como se dará a crise dos semicondutores e também como a demanda continuará. De maneira geral, contudo, as perspectivas para o setor de bens duráveis são positivas.
Confira as recomendações dos analistas para as companhias de bens duráveis
- Weg (WEGE3): Blennd – recomendação neutra, com preço-alvo em R$ 44,50; BTG – recomendação neutra, com preço-alvo em R$ 45
- Embraer (EMBR3): BTG – recomendação de compra, com preço-alvo em R$ 26
- Romi (ROMI3): Eleven – recomendação neutra, com preço-alvo em R$ 28
- Randon (RAPT4): BTG – recomendação de compra, com preço-alvo em R$ 20
- Iochpe Maxion (MYPK3): Itaú BBA – recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 19
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