A bolsa de valores começou a semana de péssimo humor. Nesta segunda-feira (16), perdeu 1,66%, ficando com 119.180,03 pontos. A última vez que o Ibovespa terminou o dia abaixo dos 120 mil pontos foi em 12 de maio deste ano. O resultado de hoje quase zerou os ganhos do ano.
Em Nova York, os principais índices fecharam com setas trocadas, ficando pior para o Nasdaq. Mas durante o dia, estavam todos no vermelho. Houve uma recuperação, portanto.
O mundo acordou hoje com um problemão: a tensão geopolítica com a tomada de Cabul, capital do Afeganistão, pelo grupo extremista Talibã.
Estados Unidos, especialmente, e Europa tentam se acertar para entender como ajudar os milhões que passaram a viver às portas de uma crise humanitária – que pode virar outra crise migratória, como aconteceu recentemente com a Síria. O Reino Unido pediu a reunião dos sete países mais ricos do mundo, o G7, para ver como é possível proceder.
A China, por sua vez, admite tentar relações cordiais com o novo regime do país com quem tem uma pequena fronteira. Além disso, do gigante asiático vêm também notícias que mexeram com o mercado.
Como se não bastasse, no Brasil as tensões políticas seguem firmes: ameaças do Executivo com o Judiciário, precatórios, novo Bolsa Família e por aí vai.
Dessa forma, o Ibovespa apresentou na mínima 118.683,65 pontos (-2,07%); e na máxima, 121.191,45 pontos (-0,002%).
O volume financeiro negociado foi de R$ 33,800 bilhões.
Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:
- segunda-feira (16): -1,66% (119.180,03 pontos)
- semana: -1,66%
- agosto: -2,15%
- 2021: +0,13%
Juros
- D1F22: +0,02 p.p. para 6,63%
- D1F23: +0,05 p.p. para 8,40%
- D1F24: +0,13 p.p. para 9,17%
- D1F25: +0,16 p.p. para 9,55%
- D1F26: +0,20 p.p. para 9,78%
- D1F27: +0,21 p.p. para 10,00%
- D1F28: +0,15 p.p. para 10,20%
- D1F29: +0,25 p.p. para 10,30%
- D1F30: +0,08 p.p. para 10,37%
- D1F31: +0,28 p.p. para 10,54%
Dólar
O dólar começou a semana acelerando. A moeda norte-americana ganhou 0,68% e passou a valer R$ 5,2807.
- segunda-feira (16): +0,68% a R$ 5,2807
- semana: +0,68%
Euro
- segunda-feira (16): +0,52% a R$ 6,2174
- semana: +0,52%
Criptomoedas*
- Bitcoin: +0,79% a R$ 241.553,93
- Ethereum: -0,03% a R$ 16.658,63
- Tether: +1,83% a R$ 5,28
- Cardano: +1,60% a R$ 11,00
- Binance: +4,17% a R$ 2.201,62
*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)
Bolsa em Nova York e cenário mundial
As ações em Nova York ficaram com direções diversas nesta segunda-feira, dado que o mundo agora enfrenta um novo problema g.
No domingo, o grupo extremista Talibã tomou à força o governo do Afeganistão, enquanto os Estados Unidos, sob comando de Joe Biden, estão em processo de retirada de tropas do país, após 20 anos.
Foi sair um e entrar o outro. O presidente do país, Ashraf Ghani, teve que fugir para o vizinho Tajiquistão. Países de todo o mundo correram para retirar seus diplomatas de Cabul, a capital. O noticiário foi invadido por imagens desesperadoras de pessoas tentando sair do país pelo aeroporto.
A Europa e países vizinhos temem uma onda migratória como a que ocorreu na crise da Síria.
O G7 vai se reunir para tentar indicar uma solução paliativa para o problema. O risco acabou aportando nos mercados, com as bolsas despencando em todo o planeta.
A China foi o único país de peso que se manifestou em direção ao reconhecimento do novo regime afegão.
Mas internamente as coisas não vão bem também. O crescimento da produção industrial e das vendas no varejo da China desacelerou e ficou abaixo das expectativas em julho,, é o que informa a Folha de S.Paulo.
“Novos surtos de Covid-19 e enchentes prejudicaram as operações das empresas, ampliando os sinais de que a recuperação econômica está perdendo força”, informou o jornal paulista. Enchentes resultantes de um verão bastante agressivo também mexeram nos números. A produção industrial da segunda maior economia do mundo cresceu 6,4% em julho, na comparação com o mesmo período do ano anterior, mas a expectativa era de 7,8%. Em junho, a produção cresceu 8,3%.
Já as vendas no varejo aumentaram 8,5% em julho na comparação com o mesmo mês de 2020, bem abaixo da expectativa de 11,5% e do ganho de 12,1% de junho. A expectativa é que ambos os indicadores se enfraqueçam ainda mais em agosto.
O Escritório Nacional de Estatísticas do país observou que a “recuperação econômica do país ainda é instável e desigual”.
Além disso, os preços do petróleo caíram após a divulgação dos dados econômicos chineses. Só não foram quedas mais acentuadas, porque a Opep mandou avisar que não vai aumentar a produção.
O rendimento da nota do Tesouro de 10 anos de referência caiu para 1,255%, com os investidores preocupados com o crescimento global. Os rendimentos dos títulos caem à medida que seus preços aumentam.
As ações dos EUA também se mexeram em meio ao crescente apoio do Federal Reserve para anunciar uma redução nas compras de títulos em setembro e iniciar a redução nas compras um mês ou mais depois. Entrevistas com funcionários do banco central, junto com seus comentários públicos, mostram um apoio crescente a um cronograma mais rápido do que os mercados esperavam um mês atrás.
O Índice Empire State de atividade industrial, que mede as condições da indústria no Estado de Nova York, apontou desaceleração de crescimento nos Estados Unidos.
O indicador recuou para 18,3 pontos em agosto, ante 43 de julho. A informação foi divulgada hoje pelo Federal Reserve (Fed) de Nova York. A projeção do mercado era por leitura superior, de 29 pontos.
Nova York
- S&P 500: +0,26%
- Nasdaq: -0,20%
- Dow Jones: +0,31%
Europa
- Euro Stoxx 600 (Europa): -0,64%
- DAX (Alemanha): -0,32%
- FTSE 100 (Reino Unido): -0,90%
- CAC (França): -0,83%
- IBEX 35 (Espanha): -0,81%
- FTSE MIB (Itália): -0,76%
Ásia e Oceania
- Shanghai (China): +0,03%
- SZSE Component (China): -0,71%
- China A50 (China): -0,01%
- DJ Shanghai (China): -0,09%
- Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,80%
- SET (Tailândia): +0,19%
- Nikkei (Japão): -1,62%
- ASX 200 (Austrália): -0,61%
- Kospi (Coreia do Sul): 0,00%
Brasil: ambiente político e econômico
O mundo pega fogo e o Brasil não fica atrás.
No fim de semana, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que vai levar ao Senado Federal pedidos de impeachment de dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Os pedidos não devem ganhar tração na casa ou sequer chegar a andar, já que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), avisou não ter sentido a matéria.
Bolsonaro procura manter a fervura lá em cima, atiçando seus seguidores mais extremistas. De olho em 2022, anda discutindo qual será o valor do Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família. Bolsonaro quer pelo menos 50% de aumento, valendo a partir de novembro.
Mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda precisa achar dinheiro. A PEC dos precatórios demanda atenção. Ela propõe a correção de dívidas da União já julgadas pela Justiça utilizando a Selic e não mais o IPCA, além do parcelamento de valores acima de R$ 66 milhões em 10 vezes. Guedes então partiu para o argumento usual e disse que se não for possível parcelar os precatórios, o teto de gastos será estourado e os servidores podem não receber seus salários.
Na praça dos números, o boletim Focus, do Banco Central, revisou para cima as projeções para a inflação e a taxa Selic para o fim do ano. O Produto Interno Bruto (PIB) foi revisto para baixo. Já o dólar teve a projeção mantida.
Para a inflação, nesta semana, o boletim prevê que chegue ao fim do ano em 7,05%, frente a 6,88% da semana passada. Há quatro semanas, a estimativa de mercado era de inflação em 6,31%.
Com relação ao PIB, este teve a projeção revista em 5,28%. Levemente abaixo da semana passada, quando apontava crescimento em 5,30%. Há quatro semanas, a projeção era de 5,27%.
Para a taxa Selic, o boletim elevou a projeção para 7,50% ao ano para o fim de 2021. Há uma semana, era prevista uma taxa de 7,25% e, há quatro semanas, era de 6,75%.
Já para o dólar, foi mantida a projeção em R$ 5,10 da semana passada. Há quatro semanas, a projeção era de R$ 5,05.
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da segunda quadrissemana de agosto de 2021 variou 0,82%, ante 0,97% da leitura anterior, e acumula alta de 9,07% nos últimos 12 meses.
Nesta apuração, cinco das oito classes de despesa componentes do índice registraram decréscimo em suas taxas de variação.
A maior contribuição partiu do grupo Habitação (1,84% para 1,35%), com destaque para tarifa de eletricidade residencial, que foi de 6,57% para 4,52%.
Também registraram decréscimo Educação, Leitura e Recreação (0,87% para 0,28%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,53% para 0,47%), Transportes (0,88% para 0,84%) e Vestuário (0,21% para 0,17%).
Em contrapartida, os grupos Alimentação (1,10% para 1,23%) e Despesas Diversas (0,11% para 0,17%) apresentaram avanço.
Em São Paulo, o governador João Dória (PSDB) prometeu liberar a total ocupação de comércios e serviços a partir de amanhã (17). Restaurantes, barbearias, salões de beleza, academias e atividades culturais também não terão limitação de horário.
É uma boa notícia, já que São Paulo tem avançado na vacinação e seu comércio é um importante motor para a economia do país.
Bolsa: ações
Das 84 ações negociadas na bolsa, 17 subiram e as outras 67 caíram em relação à sessão anterior.
Mais negociadas
- Petrobras (PETR4): R$ 28,64 (-2,42%)
- Vale (VALE3): R$ 108,80 (+0,46%)
- Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 30,34 (-1,43%)
- Bradesco (BBDC4): R$ 23,04 (-0,82%)
- Magazine Luiza (MGLU3): R$ 19,42 (-4,19%)
Maiores altas
- Qualicorp (QUAL3): R$ 19,69 (+3,85%)
- CPFL (CPFE3): R$ 26,96 (+2,04%)
- Suzano (SUZB3): R$ 57,71 (+1,58%)
- Bradespar (BRAP4): R$ 71,07 (+1,38%)
- Sabesp (SBSP3): R$ 33,98 (+1,16%)
Maiores baixas
- CVC (CVCB3): R$ 17,20 (-8,56%)
- Embraer (EMBR3): R$ 19,45 (-6,45%)
- Via (VIIA3): R$ 10,61 (-6,11%)
- Cogna (COGN3): R$ 3,12 (-6,02%)
- Lojas Americanas (LAME4): R$ 5,63 (-5,70%)
Outros índices brasileiros
- IBrX 100: -1,45% (51.603,26 pontos)
- IBrX 50: -1,43% (20.196,38 pontos)
- IBrA: -1,59% (4.858,34 pontos)
- SMLL: -3,56% (2.765,87 pontos)
- IFIX: -0,58% (2.725,10 pontos)
- BDRX: +0,64% (13.800,44 pontos)
Commodities
Petróleo Brent (outubro)/barril
- segunda-feira (16): -1,53% (US$ 69,51)
- semana: -1,53%
Petróleo WTI (setembro)/barril
- segunda-feira (16): -1,68% (US$ 67,29)
- semana: -1,68%
Ouro (dezembro)/onça-troy
- segunda-feira (16): +0,60% (US$ 1.788,95)
- semana: +1,17%
Prata (setembro)/onça-troy
- segunda-feira (16): +0,39% (US$ 23,87)
- semana: +0,39%
Com Wisir Research, BDM e CNBC